- Estudo de doutoramento da Universidade de Coimbra, com mais de mil inquiridos, mostra que 47% consumiram suplementos alimentares nos 12 meses anteriores.
- A investigação sugere que o consumo na população adulta pode rondar os 50%.
- Em Espanha, 58% dos inquiridos tomaram suplementos no último ano (2025), contra 42% em 2021, números que se alinham com o contexto português.
- No inquérito, 301 profissionais de saúde também participaram e quase 70% deles indicaram consumir suplementos.
- Fatores apontados incluem publicidade e marketing, além de estilos de vida saudáveis; existem preocupações sobre uso sem indicação profissional e potenciais interações com medicamentos.
A dissertação de doutoramento da Universidade de Coimbra aponta um consumo elevado de suplementos alimentares entre adultos, com quase metade da população a ter utilizado estes produtos nos 12 meses anteriores ao inquérito. Os dados decorrem de um estudo com mais de mil participantes.
O inquérito revela que 47% dos entrevistados recorreram a suplementos, valor que se alinha com tendências noutros países europeus, como Espanha, onde 58% relataram uso recente. Os resultados integram a tese defendida em janeiro deste ano.
O trabalho não permite extrapolar para toda a população, mas sugere um consumo próximo de 50% entre adultos. Um estudo de mercado de 2024 já indicava 43,9% de consumidores entre 1000 pessoas expostas ao tema.
Contexto e interpretação
Os suplementos são produtos que concentram vitaminas, minerais, aminoácidos ou enzimas, em cápsulas ou formulações variáveis. Observa-se a promessa de regular sono, equilíbrio hormonal ou estética, mas o efeito real depende de necessidade nutricional e de orientação médica.
Curiosamente, quem mais utiliza suplementos tende a ter um estilo de vida saudável: refeições regulares, menos fumo e maior interesse por nutrição. Entre os respondentes, 301 profissionais de saúde apresentaram consumo elevado, próximo de 70%.
Fatores que explicam o consumo
Entre as hipóteses está a publicidade e o marketing agressivo dos suplementos, que pode influenciar quem cuida da própria saúde a adotar estas opções. A pesquisadora sublinha a existência de estratégias de promoção junto de públicos saudáveis, com potencial para divulgação entre influenciadores.
A investigação também aponta que a prescrição clínica nem sempre está presente. O principal desafio em saúde pública é o consumo sem indicação de um profissional, associando-se a riscos de interações com medicamentos e de ingestas excessivas.
Riscos e recomendações
Especialistas defendem que a suplementação deve ser complementar a uma alimentação adequada, não substitutiva. Interações com fármacos, como hipericão com pílula anticoncepcional, ou ginseng com estatinas, podem provocar efeitos adversos.
Doutorandos da UC destacam a necessidade de orientação de profissionais de saúde na decisão de recorrer a suplementos, para evitar uso indevido. O estudo reforça que, apesar da perceção de naturalidade, os suplementos não são isentos de riscos.
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