- O governo francês publicou um relatório do Ministério do Interior sobre o aumento dos atos antirreligiosos entre 2010 e 2025, com foco no cristianismo, judaísmo e islamismo.
- Em 2023 houve pico de atos antissemitas após o ataque de 7 de outubro de 2023; em 2023 foram identificados 1 676 atos antissemitas, 1 242 deles entre 7 de outubro e 31 de dezembro, representando cerca de 53 % do total em 2025.
- Os atos anticristãos também aumentaram em 2025, com 843 casos (+9 % face a 2024), correspondendo a 34 % do total; a violência física contra membros da comunidade cristã quase duplicou, totalizando 23 casos em 2025.
- Os atos antimuçulmanos apresentaram crescimento significativo em 2025, com 326 casos (+88 % face a 2024), cerca de 13 % do total; houve aumento de palavras e gestos ameaçadores e incidentes relacionados com o Ramadão e debates sobre o véu.
- O Estado já investiu mais de 47,8 milhões de euros desde 2015 para a proteção de locais de culto via o programa de securização (SSC); foram realizadas 224 sessões de sensibilização até 31 de dezembro de 2025, envolvendo 1 694 representantes religiosos.
O governo francês revela num relatório que atos antirreligiosos aumentaram em França, abrangendo o cristianismo, o islamismo e o judaísmo. O documento analisa o período de 2010 a 2025, com foco no último ano, e descreve os impactos na liberdade de consciência e no equilíbrio social.
O texto do Ministério do Interior indica que, depois de uma queda em 2020 associada à Covid-19, houve um aumento significativo após o ataque de 7 de outubro de 2023 e o conflito israelo-palestiniano. O recrudescimento atinge todas as confissões, em todo o território.
Segundo o relatório, o aumento é preciso nos atos contra pessoas e bens motivados por pertença religiosa, com subnotificação possível devido à falta de queixas. O documento alerta para uma realidade preocupante: o ódio antirreligioso cresce.
Contexto por confissão
Entre 2010 e 2015, cristãos e judeus representaram grande parte dos atos antirreligiosos, com 43% e 41%, respetivamente, do total, frente a 14% de atos contra muçulmanos. Desde 2015, o total aumentou 21% até 2025, variando por religião.
Azeite judaico em ascensão
Os atos antissemitas mantêm-se elevados, com pico em 2023 após os ataques de 7 de outubro. Em 2023 registaram-se 1 676 atos antissemitas, 1 242 apenas entre 7 de outubro e 31 de dezembro. Em 2025 representam cerca de 53% do total.
Danos e violência
Em 2025, 67% dos atos antissemitas atingiram pessoas, 33% bens. A violência física contra judeus aumentou, triplicando desde 2022 (42 casos em 2022 para 126 em 2025). O relatório aponta também aumento de discurso violento nas redes.
Aumento de atos anticristãos
Os atos anticristãos subiram desde 2010, com pico em 2018. Em 2025 foram 843 casos, +9% frente a 2024, com +70% de ofensas contra pessoas. A maior parte é dirigida à comunidade católica (817 casos).
Violência contra cristãos
A violência física contra cristãos aumentou em 2025, com 23 casos, incluindo agressões a responsáveis de locais de culto. As perturbações de ofícios religiosos também cresceram 86% no ano.
Aumento de atos contra muçulmanos
Os atos antimuçulmanos cresceram em 2025 para 326 casos, +88% que 2024. Aumento destacado de ofensas contra pessoas (+151%) e de palavras/gestos ameaçadores (+210%).
Medidas de proteção
O governo cita avanços na identificação do fenómeno, com a ADDAM a intensificar a deteção de discriminação antimuçulmana. O Ministério do Interior mobilizou 47,8 milhões de euros desde 2015 para financiar a proteção de cerca de 1 milhar de locais de culto.
Programas de segurança
O programa SSC financia videovigilância, fechaduras, intercomunicadores e outras medidas de segurança em locais de culto. Entre 20 de março e 31 de dezembro de 2025 ocorreram 224 sessões de sensibilização para 1.694 responsáveis religiosos, com continuidade em 2026.
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