- Vandalismo na estátua de Natália Correia, em Lisboa, com desenhos de suásticas na face, ocorreu na noite de 16 de abril e gerou condenação pública, incluindo do presidente da Junta de Freguesia.
- O PS na Câmara Municipal de Lisboa aprovou por unanimidade um voto de repúdio, classificando o ato como símbolo de ódio ligado a períodos sombrios da História e pedindo rápida identificação dos responsáveis.
- O presidente da Câmara, Carlos Moedas, rejeita críticas da oposição e afirma tolerância zero ao vandalismo, destacando que a autarquia gasta milhões em limpeza de grafitis e que existem perigos de ambos os extremos políticos.
- O Relatório Anual de Segurança Interna de 2025 (RASI) aponta aumento dos crimes de ódio em Portugal, com a Área Metropolitana de Lisboa a concentrar 30% das ocorrências e alerta para a crispação social e radicalização.
- Na discussão, destaca-se ainda o debate sobre as comemorações do 25 de abril, com polémicas sobre o nome das Festas de Abril e a perceção de alguma instrumentalização política da cultura em Lisboa.
A vandalização da estátua de Natália Correia, erguida em 2023 na Graça, reacendeu o debate político em Lisboa, poucos dias antes das celebrações do 25 de Abril. O ato, praticado na noite de 16 de abril, consistiu em danos e pichagens com cruzes suásticas, símbolo associado ao nazismo.
O episódio levou o PS a emitir um voto de repúdio, aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Lisboa. Os socialistas classificaram o ato como símbolo de ódio que atenta contra os valores do Estado de Direito e exigiram rápida identificação de responsáveis. Alexandra Leitão reforçou o apelo à atuação das autoridades.
Ao longo da narrativa, aumentou a preocupação com a propagação de mensagens de ódio e com a crescente radicalização. O Relatório Anual de Segurança Interna de 2025 aponta um aumento de crimes de ódio, com Lisboa concentrando uma parte relevante dos incidentes na área metropolitana.
Não houve resposta imediata da PSP sobre ocorrências recentes do município, mas o RASI indica tendência de crescimento nos crimes de ódio em Portugal, impulsionada por polarização e desinformação. A análise aponta impactos na convivência democrática e na segurança pública.
Os extremos
A oposição salienta que o vandalismo não é apenas dano patrimonial, mas ataque a valores democráticos. O presidente da Câmara, Carlos Moedas, manteve posição de tolerância zero para ataques ao património, defendendo combate firme contra discursos discriminatórios, sem detalhar estratégias.
Moedas criticou Alexandra Leitão por suposta visão maniqueísta, argumentando que os riscos existem tanto na extrema-direita como na extrema-esquerda. O chefe do governo municipal sublinhou que a segurança pública depende de ações de prevenção, investigação e responsabilização.
O PS, por seu lado, destaca ainda que o clima de tensão favorece a misoginia e a xenofobia. O grupo parlamentar pediu firmeza em ações educativas e no controlo de visitas e atividades externas em espaços públicos, especialmente no âmbito escolar.
Ideologia na cultura?
Entre debates culturais, surgiu uma petição contra a mudança de nome das Festas de Abril para Festas da Primavera, associando-a a uma tentativa de banalizar a data histórica. A Câmara confirmou ter avaliado a possibilidade, mas manteve o nome tradicional.
A autarquia defendeu a promoção de várias iniciativas pelo 25 de Abril, assegurando autonomia da programação cultural. O assunto evidenciou tensões entre propostas políticas locais e a linha institucional de gestão cultural, com críticas de ambos os lados.
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