- António Mendonça Mendes, deputado socialista, declarou no 25.º Congresso do Partido Socialista que o Governo passou o ano a aprovar leis com o Chega e, no fim, quer que o PS viabilize o Orçamento do Estado.
- O dirigente defende que o OE exige responsabilidade mútua e que o Governo não pode pedir apenas ao PS esse peso, sem demonstrar a mesma responsabilidade.
- O socialista afirmou que o eleitorado não confiou na coligação da anterior legislatura para resolver o excedente orçamental e enfrentar problemas como tempestades e subida dos combustíveis.
- Acusou o Governo de mentir sobre o saldo da Segurança Social, dizendo que o secretário-geral do PS tinha razão e que o Executivo deve pedir desculpa.
- Em tom separado, Eduardo Cabrita criticou o PSD por acordos com a extrema-direita e Alexandra Leitão alertou para o risco de o PS ficar acantonado à esquerda, defendendo que o partido é uma alternativa progressista e justa.
O 25.º Congresso Nacional do Partido Socialista serviu de palco para críticas ao governo por suposta dependência do Chega para aprovar leis. O objetivo dos socialistas é que o Governo demonstre igual responsabilidade que exige ao Partido Socialista, especialmente no que diz respeito ao Orçamento do Estado (OE).
O deputado António Mendonça Mendes acusou o Executivo de ter passado o ano a aprovar legislação com o Chega, para no final transferir a responsabilidade para o PS ao viabilizar o OE. Segundo o social-democrata, o Governo alinhou-se com o Chega em várias matérias ao longo do ano, deixando a implementação do orçamento para último momento.
Mendonça Mendes enfatizou que o OE requer maturidade e que o PS deve exigir ao Governo a mesma responsabilidade que se pede aos socialistas. Ele argumentou que o Governo não pode pedir esforço ao PS sem corresponder com medidas equivalentes de responsabilidade.
Antes, o orador questionou o eleitorado sobre a confiança na coligação anterior e recordou a contestação a promessas da Administração Socialista relacionadas com o saldo da Segurança Social e com financiamento de necessidades públicas. O deputado referiu que os resultados mostraram que houve divergência entre declarações oficiais e dados económicos.
No debate seguinte, Eduardo Cabrita criticou o impasse na eleição de órgãos externos, destacando o papel do Tribunal Constitucional. O ex-ministro apontou para uma percepção de ruptura entre o PSD e a matriz democrática de 1975, sugerindo que há tentativas de aproximação a forças de direita.
Alexandra Leitão, vereadora da Câmara de Lisboa, também discursou, apontando para uma tentativa de alinhar o PS com tendências de direita. A socialista defendeu a necessidade de manter a identidade social-democrata do partido e de não ceder a pressões para afastar o PS de uma orientação socialmente orientada.
A dirigente concluiu que o grande desafio do PS é recuperar a confiança dos eleitores e demonstrar que pode ser uma alternativa estável e progressista à governação de direita. O objetivo, indicou, é mostrar que o partido está capacitado para resolver os problemas nacionais sem abrir mão de princípios sociais.
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