- A escritora argentina Camila Sosa Villada afirma que a escrita é uma “viagem inútil” sem função prática, mas essencial na relação entre livro e leitor.
- A opinião foi expressa em entrevista à Lusa, a propósito do seu novo livro, “El viento que arrasa”, que aborda a vida de uma mulher que se torna artista de circo.
- A autora destaca que a visão sobre a escrita resulta do seu percurso artístico, que inclui atuação, poesia, música e escrita.
- Sustenta que escrever permite relacionar-se com o mundo de forma silenciosa e íntima, sem necessidade de utilidade terapêutica ou utilitária.
- Defende valorizar o silêncio, a contemplação e a inutilidade criativa como forma de resistência às pressões sociais e às expectativas sobre a arte.
A escritora argentina Camila Sosa Villada afirma que a escrita é uma viagem inútil, sem função terapêutica ou utilitária. O que sustenta é a relação silenciosa entre livro e leitor, considerada essencial ainda que não tenha objetivo prático.
A autora, que também atua como atriz, poetisa e cantora, falou à agência Lusa a propósito do seu novo livro, El viento que arrasa. A obra acompanha a vida de uma mulher que se torna artista de circo e serve também como reflexão sobre a escrita.
Segundo Villada, a visão sobre a literatura resulta da sua experiência de vida e do percurso artístico, que inclui diversas formas de expressão artística. A prática de escrever é descrita como instrumento de compreensão de mundo e de si própria.
Para a escritora, a escrita não tem finalidade prática, mas é crucial para entender realidades complexas. Trata-se de uma forma de estar em silêncio e de ouvir o que o mundo tem para dizer.
A autora ressalva a importância de reconhecer a inutilidade da escrita e de valorizar o silêncio e a contemplação, como componentes centrais do processo criativo. Sem essas atitudes, considera que parte da criatividade fica soterrada.
Villada entende a escrita como forma de resistência às pressões sociais que impõem utilidade à arte e à cultura. Ao afirmar que a arte pode existir pela própria natureza da sua inutilidade, a autora propõe um modo de ver a criação sem instrumentalização.
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