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Catalunha descobre nova espécie de cão-urso com 15,9 milhões de anos

Descoberta na Catalunha revela nova espécie de anficiônido, Paludocyon moyasolai, de 15,9 milhões de anos, ampliando o conhecimento sobre carnívoros do Mioceno

Ilustração de Paludocyon moyasolai de Els Casots
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  • Descoberta uma nova espécie de anficiônido, Paludocyon moyasolai, identificada a partir de um crânio encontrado há três décadas em Els Casots, Subirats (Alt Penedès), Catalunha.
  • A confirmação foi publicada no Journal of Mammalian Evolution e faz Els Casots tornar-se o sítio de referência mundial para esta espécie.
  • O animal tinha entre cinquenta e setenta quilos, equivalente ao porte de um cão grande, e caçava presas pequenas e médias numa lagoa tropical há cerca de quinze milhões novecentos mil anos.
  • A dentição apresentava molares posteriores desenvolvidos de forma invulgar, com um segundo molar superior muito largo e um terceiro maior do que o habitual, apontando para uma dieta variada.
  • A descoberta junta-se a estudos sobre grandes carnívoros do Mioceno na Península Ibérica, ajudando a compreender a organização de comunidades de carnívoros da época e a evolução do grupo.

Oito milhões de anos de silêncio fósil ganham voz na Catalunha. Cientistas internacionais identificaram uma nova espécie de anfícionido, Paludocyon moyasolai, a partir de um crânio encontrado em Els Casots, Barcelona. A descoberta foi publicada no Journal of Mammalian Evolution.

O crânio foi removido entre os anos 1990 e 1991, durante escavações em Els Casots, sítio paleontológico de Subirats, Alt Penedès. Na altura, pensou-se que pertencia a um Paludocyon já conhecido, motivo pelo qual permaneceu guardado.

Só em 2014, ao preparar uma tese, alguém reconheceu incongruências. A nova espécie revelou-se menos corpulenta que o Paludocyon comparado, estimando-se entre 50 e 70 quilos. O estudo confirmou a descrição de uma espécie ainda não documentada.

Descrição e significado

A equipa do Institut Català de Paleontologia Miquel Crusafont descreveu o achado com base no crânio, parte da dentição e um molar isolado. Os molares mostram desenvolvimento invulgar, apontando para dieta variada e caça de presas pequenas a médias.

Os fósseis sugerem um predador de porte médio, capaz de caçar cervídeos primitivos, bovídeos e porcos ancestrais, sem ser o maior animal do ecossistema. O sítio também revelou uma outra espécie de anfícionido maior, ainda por descrever.

Contexto e ambiente do Miocénico

O recorte temporal situa o animal há cerca de 15,9 milhões de anos. O ambiente era uma lagoa pouco profunda rodeada de floresta tropical, com crocodilos, serpentes e uma diversidade de mamíferos. A conservação foi favorecida pelo sedimento de lodo.

Além de Els Casots, o estudo enquadra Paludocyon moyasolai no mapa dos grandes carnívoros da Península Ibérica durante o Miocénico. Investigações anteriores, com participação de universidades espanholas, já exploravam sítios próximos e a diversidade de espécies conviventes.

Metodologia e impacto científico

Analises de isótopos estáveis em esmalte dentário, em mais de 200 amostras, ajudaram a reconstruir hábitos alimentares sem danificar fósseis. Este método aponta que a competição entre espécies era elevada, com exceções para anfícionídeos e hienas primitivas.

A descoberta de Paludocyon moyasolai acrescenta uma peça ao retrato evolutivo dos anfícioníneos. Cada novo exemplar ajuda a afinar a árvore evolutiva do grupo e a compreender como estas espécies se extinguiram há milhões de anos.

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