- A produção de seda mantém-se artesanal em Margilan, com o processo contínuo desde os casulos até ao tecido, incluindo a fase de tecelagem na fábrica Gold Silk e etapas como “davra” (planeamento de padrões).
- O desenho de motivos é estruturado e depende de medidas precisas, com a escolha de cores sendo crítica, pois erros não podem ser corrigidos posteriormente.
- O sistema de produção é contínuo, com fios a passar por todas as etapas num único espaço, resultando em produtos como tapetes, vestuário e acessórios; a oficina também recebe visitantes.
- A Região de Fergana produz cerca de 2 900 toneladas de casulos por ano, alimentando sectores têxtil e de tapetes, com trocas históricas ao longo da Rota da Seda e atual turismo/exportações.
- Em Bukhara, a seda é utilizada no design de vestuário, com foco no alinhamento de padrões; em Khiva, há um museu interativo que permite observar e participar em atividades como tecelagem, tinturaria e oficinas.
A seda continua a ligar tradição e procura atual, mantendo vivo um sistema de produção artesanal em várias regiões. Oficinas, ateliers de design e indústrias locais refletem o equilíbrio entre saber‑fazer ancestral e mercados contemporâneos. O processo é manual e estreitamente ligado ao território.
Em Margilan, no Vale de Fergana, a produção segue um fluxo contínuo, desde o casulo até à tecelagem. Na fábrica Gold Silk, os casulos são trabalhados no local, os fios fiados e lavados, e os motivos preparados antes de iniciar a tecelagem.
Margilan e o processo de produção
O mestre artesão Abdumannop Sultonov descreve a fase inicial como de cálculos precisos, com a etapa davra a definir padrões e estrutura. O manuseio dos fios exige cautela para evitar danos que comprometam o produto final. A elaboração de tecidos atlas ou adras pode levar até dez dias apenas na preparação.
Desenho dos padrões e planeamento da cor
Com os fios prontos, segue‑se o desenho, que envolve maior rigor técnico. O desenhador Nosirjon Hakimov reconstrói motivos a partir de amostras para transferência fiel ao tecido. A escolha de cores é crucial, pois erros não permitem correcção posterior.
Sistema contínuo de produção
Segundo Ibrahim Sultanov, fundador da fábrica, o ciclo completo decorre sem interrupções, do aprovisionamento à produção de artigos finais. A seda é transformada no próprio espaço em peças de vestuário, tapetes e acessórios, com uma parcela significante destinada à exportação.
A região de Fergana fornece cerca de 2900 toneladas de casulos por ano, alimentando têxteis e tecelagens de tapetes. Margilan foi historicamente um ponto de intercâmbio na Rota da Seda, hoje substituído em parte pelo turismo e pelas exportações.
Bukhara e a seda no design
Em Bukhara, a seda transita para o design de vestuário. O artesão Nodirshoh Fayziyev trabalha com tecidos para criar roupa, acessórios e calçado, exigindo alinhamento rigoroso dos padrões ao longo de cada peça. A seda pura impõe desafios de finura, mas permite combinações com outros materiais e técnicas modernas.
A procura por produtos em seda mantém-se estável, tanto a nível local como internacional, com produção predominantemente manual e participação de vários artesãos para obras complexas.
Khiva e o artesanato interativo
Em Khiva, o museu dedicado reúne todo o ciclo produtivo num espaço único, dando aos visitantes a oportunidade de observar, participar e aprender técnicas tradicionais. Oficinas práticas incluem extração de fios, tecelagem de tecidos adras e tinturaria com pigmentos naturais, acrescentando valor educativo e económico aos artesãos locais.
Uma tradição em evolução
Em várias regiões, o fabrico de seda articula matérias‑primas, saber artesanal e design em um sistema interligado. Embora o processo permaneça demorado, surgem metodologias novas, como seda estampada e tecelagem jacquard programada, que expandem as possibilidades sem abandonar técnicas históricas.
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