- Um historiador defende que as duas versões da pintura Old Man with a Gold Chain terão sido pintadas pelo mesmo artista, Rembrandt, desafiando a ideia de cópia de atelier que perdurou por mais de um século.
- A obra do empresário britânico Francis Newman, comprada em 1898, era tida como retrato original de Rembrandt até 1912, quando surgiu a hipótese de reprodução de atelier.
- Análise técnica, incluindo raio-X e infravermelhos, revela semelhanças nas pinceladas e na qualidade da execução, sugerindo que ambas as versões podem ter origem no próprio mestre.
- A versão sobre tela, de Newman, difere em tamanho e em suportes (tela em vez de madeira), o que alimenta o debate sobre autoria, sobretudo face às possíveis correções visíveis apenas em uma das versões.
- O Instituto de Arte de Chicago mantém a posição de que a versão em madeira é uma cópia de atelier, enquanto o estudo de Gary Schwartz aponta para a possibilidade de Rembrandt ter supervisionado ou executado as duas peças, com futuros desdobramentos em exposições e pesquisas.
O retrato conhecido como Old Man with a Gold Chain é novamente alvo de debate académico. Um historiador neerlandês, Gary Schwartz, defende que as duas versões da pintura, uma na colecção do Instituto de Arte de Chicago e outra numa colecção britânica, teriam sido pintadas pela mesma mão: Rembrandt van Rijn.
A obra do museu de Chicago, datada de 1631-33, está em exibição desde dezembro, até 17 de maio, ao lado da versão britânica. Ambos os retratos surgem com traços quase idênticos, mas as superfícies e dimensões distinguem-se. A teoria atual pondera a possibilidade de réplica de oficina.
A controvérsia teve início há mais de um século. Em 1912, Wilhelm von Bode definiu a peça britânica como uma reprodução engenhosa. Hoje, Schwartz reabilita a versão sobre tela como obra de Rembrandt, sustentando que memórias de oficina não invalidam a autoria autêntica.
Pontos de evidência
- A pintura britânica mede menos que a de Chicago e está sobre madeira, ao contrário da tela de Chicago.
- Análises com raio-X e infravermelhos mostraram diferenças subtis na aplicação de traços e correções; o investigador alega que não indicam intervenções de outros artistas.
A equipa de investigação de Chicago contraria a hipótese de cópia de atelier. Enfatiza que a pintura sobre madeira contém um desenho subjacente com ajustes já efetuados, sugerindo precisão própria de Rembrandt ou da sua oficina. O instituto destaca a importância das técnicas de estudo para aferir autoria.
O debate envolve também o papel das oficinas no século XVII. Investigadores do Rijksmuseum recentem autenticaram uma obra de Rembrandt, evidenciando que o tema da autoria permanece complexo. Vêm-se a público exposições que comparam mãos do mestre e de aprendizes para entender o processo criativo.
Justus Lange poderá apresentar, em Kassel, dois retratos em exposição que discutem a possibilidade de uma colaboração entre Rembrandt e um aluno numa obra pintada sobre tela. A divulgação científica refere que nenhum veredito está fechado, mantendo o tema em evolução.
Entre na conversa da comunidade