- A travessia do salmão norueguês até Portugal começa nas águas frias do Atlântico Norte, com a Leroy a operar viveiros de salmão na ilha de Hitra, a cerca de seiscentos quilómetros de Oslo, e a distribuir para Portugal.
- Os viveiros ficam em mar aberto e têm cerca de trinta metros de profundidade; a produção pode envolver cerca de quarenta toneladas de ração numa instalação de pico.
- A Noruega é um dos principais players do sector, com regulamentos restritos que, segundo a Leroy, podem tornar o mercado mais sustentável a longo prazo; o país é a segunda maior indústria depois de petróleo e gás.
- A alimentação dos peixes depende de ingredientes importados, como soja, e utiliza astaxantina (pigmento) para conferir a cor ao salmão; há preocupações ambientais associadas a sourcing.
- O salmão é enviado vivo para Trondheim, onde é atordoado e abatido; a Leroy produz entre dezasseis e dezoito camiões de salmão fresco por dia e detém entre vinte e cinco e trinta por cento do mercado português, com Portugal representado desde 1991.
Em Noruega, a produção de salmão através de aquacultura continua a afirmar-se como um motor económico e ambientalmente complexo. As crias são alimentadas até atingirem entre 5 e 6 kg, com a Leroy a gerir viveiros de cerca de 30 metros de profundidade na ilha de Hitra, a cerca de 600 km de Oslo.
A legislação norueguesa exige viveiros em mar aberto, afastados do tráfego, para assegurar o desenvolvimento saudável do peixe. A Leroy, presente em Portugal, domina parte do processo desde a criação até à distribuição.
Regulação, produção e sustentabilidade
Marcus Svenning, responsável pela visita aos viveiros, explicou que a produção envolve várias centenas de toneladas de ração por instalação e que o mar é alugado pela comunidade mediante licenças perpétuas.
Consciente dos impactos ambientais, o setor admite depender de ingredientes importados, como soja do Brasil, o que coloca o tema da sustentabilidade na ordem do dia. O pigmento que dá cor ao salmão é a astaxantina, extraída de krill ou algas.
A Noruega é um dos principais produtores mundiais, com a indústria a ocupar a segunda posição no país, apenas atrás de petróleo e gás. O setor espera manter o crescimento, impulsionado por regulamentação rígida e padrões de produção.
Do viveiro à mesa em Portugal
Quando o salmão atinge o ponto de venda, é enviado ainda vivo à fábrica da Leroy em Trondheim para garantir frescura. Lá, o peixe é atordoado por choque elétrico e preparado para envio.
A Leroy produz entre 16 e 18 camiões de salmão fresco por dia, com destino a várias regiões, incluindo Portugal, onde detém entre 25% e 30% do mercado. O transporte ocorre em caixas de esferovite reciclado.
Chegado a Portugal, na maioria das situações, o peixe é processado de forma rápida: o salmão pode chegar ao consumidor no mesmo fim de semana, dependendo do destino. O processo de limpeza, filetagem e separação por qualidade acontece numa linha dedicada, com controlo de qualidade laboratorizado.
Pål Morten Kleven, diretor de produção industrial da Leroy, sublinha o orgulho pela produção de proteínas e ómega 3, bem como o crescimento contínuo da procura. A empresa já atua em mais de 70 países desde a sua fundação em 1899.
Contexto global e presença em Portugal
Desde 1991, a Leroy está em Portugal, atuando na compra, venda e distribuição de peixe fresco, além de produção de sushi. A presença portuguesa representa um importante avanço na penetração de mercados, sem comprometer o rigor regulamentar vigente na Noruega.
*A Lusa viajou para a Noruega a convite do Conselho Norueguês das Pescas (NSC)*
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