O estudo publicado na revista BMC Public Health aponta falhas na deteção e na notificação de maus-tratos a pessoas idosas nos cuidados de saúde primários. A investigadora Sofia Frazão, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), defende formação específica para médicos de família. O alerta é apresentado pela agência Lusa.
O inquérito envolveu mais de 350 clínicos de unidades de saúde no Alto Minho, Trás-os-Montes, Douro, Tâmega e Sousa e Área Metropolitana do Porto. O questionário tinha 13 itens, incluindo responsabilidade de deteção e conhecimento dos procedimentos de reporte.
94% dos clínicos reconhecem a responsabilidade de detetar maus-tratos em idosos, mas dois terços não suspeitaram de qualquer caso nos 12 meses anteriores. Em média, 32% reportaram suspeitas, enquanto 16,9% não denunciaram.
Dados-chave e interpretações
Cerca de 55% dos médicos mostram confiança na identificação de sinais de abuso físico ou negligência. O maior desafio, para metade dos inquiridos, é a ambiguidade dos sintomas psicológicos, aponta o estudo.
Sofia Frazão elenca dificuldades como o risco de confundir lesões accidentais com sinais de violência, receio de ofender pacientes, quebra de confidencialidade e agravamento da violência. A falta de protocolos e o tempo limitado durante consultas também foram apontados.
A FMUP conclui que apenas 36,5% dos médicos de família sabem como reportar casos suspeitos. A responsável sublinha que a sobrecarga de consultas pode limitar a abordagem de várias questões, incluindo a violência contra idosos.
Recomendações e caminhos
O estudo propõe maior colaboração com assistentes sociais, reforço de formação, clarificação de critérios de diagnóstico e implementação de protocolos que simplifiquem o reporte. A equipa da FMUP está disponível para cursos dirigidos a estas questões de violência contra idosos.
As consequências dos maus-tratos variam a curto e a longo prazo, incluindo ferimentos, intoxicação e doenças, sendo considerados um problema de saúde pública a nível mundial.
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