Dezenas de mediadores socioculturais realizaram hoje uma manifestação junto à sede do Governo, para exigir um vínculo estável com a AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo). O protesto aponta para uma situação de precariedade que traduz diferenças salariais significativas.
Os trabalhadores, subcontratados por associações e ONG que prestam serviço à AIMA, trabalham no acolhimento de migrantes há anos, com pouca ou nenhuma perspetiva de integração. Segundo o sindicato FNSTFS, há casos com mais de uma década sem contrato estável. A paralisação interrompeu o atendimento em vários pontos do país.
A principal reclamação é a disparidade salarial: entre 200 a 500 euros de diferença em relação a técnicos superiores da administração pública que desempenham funções similares, dependendo da entidade contratante. O grupo exige a abertura de concursos que permitam a progressão para carreiras estáveis, com direito a salário justo e pagamento de trabalho extraordinário.
Ao longo da manhã, manifestantes concentraram-se em Lisboa, Porto e Faro, zonas com maior pressão de atendimento a migrantes. A adesão foi considerada elevada pelas organizações, estimando-se entre 80% e 85% das situações de serviço afetadas.
Algumas mediadoras destacam que o salário atual não corresponde às funções executadas, incluindo horários irregulares e necessidade de trabalho além do horário contratado. A ideia defendida é alterar o modelo de contratação para evitar novas situações de precariedade.
Entre as testemunhas, uma mediadora que trabalha no aeroporto de Lisboa relatou ter realizado horas extra não remuneradas, apontando para a falta de reconhecimento formal. A falta de progressão na carreira e a insegurança contratual são pontos centrais do protesto.
Outros relatos citam condições de trabalho difíceis, incluindo turnos desajustados, assédio laboral e pressão por parte de estruturas hierárquicas da AIMA. Trabalhadores imigrantes denunciam impotência perante o sistema de contratação atual.
Políticos estiveram no protesto, com a presença de representantes do PCP e do Bloco de Esquerda, que acompanharam as reivindicações. O objetivo central permanece a criação de condições estáveis e dignas de trabalho para os mediadores socioculturais.
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