Um jovem de 17 anos foi detido em Perugia, Itália, numa operação contra o terrorismo de extrema-direita. Investigadores suspeitam que planeava um massacre numa escola, seguido de suicídio, inspirado no ataque de Columbine em 1999.
A operação foi conduzida pela Unidade Operacional Especial dos Carabinieri, envolvendo as regiões de Úmbria, Abruzzo, Toscana e Emilia-Romagna. O suspeito é natural de Pescara, mas reside em Perugia.
As provas são consideradas graves, incluindo crimes de propaganda e incitação à criminalidade por motivos discriminatórios, além da posse de material para fins terroristas. O envolvimento do menor é central na investigação.
Segundo a Procuradoria de Menores de Aquila, o jovem divulgou instruções detalhadas para fabrico de engenhos de guerra e armas caseiras, com tecnologia 3D. Havia ainda manuais sobre substâncias perigosas para atos terroristas e sabotagem de serviços.
O suspeito possuía instruções para preparar peróxido de acetona, substância ligada a atentados anteriores, e era apelidado de “mãe de Satanás” em referências associadas ao terrorismo.
No Telegram
O rapaz integrava um grupo no Telegram dedicado a narrativas de supremacia racial e à glorificação de autores de massacres como Brenton Tarrant e Anders Breivik. Outros oito menores de várias províncias italianas são alvo de investigações ligadas ao mesmo circuito.
Este episódio soma-se a intervenções recentes contra jovens que se radicalizam online, com o objetivo de treinar e recrutar novos adeptos para atos extremistas, muitas vezes com menor idade.
Em fevereiro, a DIGOS de Nápoles pôs sob ordem de prisão preventiva um menor que partilhava tutoriais de técnicas terroristas obtidos na dark web, ligado ao IS. Casos similares em Treviso e Toscana também foram registados.
A Europol indica que, em 2024, ocorreram 58 ataques terroristas na Europa, número que contrasta com o elevado ritmo de intervenções preventivas. Alerta-se para a evolução da radicalização entre menores, com idades entre 12 e 15 anos.
Contexto de radicalização entre menores
Nas últimas semanas, o movimento anarquista voltou a ganhar atenção em Itália, após incidentes envolvendo explosivos rudimentares. A DIGOS continua a investigar contactos e redes ligadas a esses casos, incluindo ligações com grupos extremistas.
Além disso, o governo reforçou o acompanhamento online de redes sociais e plataformas de comunicação para identificar “lobos solitários” que possam planejar ataques. O objetivo é interromper atentados antes de ocorrerem.
O caso em Perugia destaca a capilaridade da radicalização entre jovens e a importância de intervenções preventivas em fases iniciais, com foco em redes digitais e propaganda extremista.
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