- A Anthropic desativou globalmente o acesso aos modelos de IA mais avançados, Claude Fable 5 e Mythos 5, após a proibição pela Administração Trump de disponibilizá-los a cidadãos estrangeiros.
- Os modelos padrão e menos potentes do ecossistema Claude permanecem disponíveis.
- A decisão surge em contexto de deterioração da relação entre a Casa Branca e a Anthropic, que já tinha sido marcada por resistência ao uso dos seus modelos pelo Pentágono.
- A justificação oficial é a existência de vulnerabilidades de cibersegurança, com o governo a considerar arriscado fornecer os modelos a utilizadores estrangeiros.
- A Comissão Europeia reagiu, dizendo que a suspensão reforça a necessidade de soberania tecnológica na Europa.
O acesso global aos modelos de IA Claude Fable 5 e Mythos 5 foi suspenso pela Anthropic depois de a Administração Trump proibir a disponibilização desses sistemas a cidadãos estrangeiros, tanto dentro como fora dos EUA. A medida, anunciada pela empresa, ocorreu de forma abrupta, já que não existem mecanismos de filtragem de nacionalidade em tempo real para todos os clientes globais.
A Anthropic explicou que a decisão resulta da imposição governamental que impede mesmo o acesso de funcionários com nacionalidade diferente da norte-americana. Enquanto isso, os modelos padrão do ecossistema Claude, menos potentes, mantêm-se disponíveis aos utilizadores. A empresa afirma estar a colaborar com as autoridades para restabelecer o serviço com segurança.
O que está em jogo
A suspensão representa uma escalada na intervenção estatal sobre a IA, destacando tensões entre a empresa e o governo. Em março, o uso por agências federais já tinha sido limitado, e agora o foco recai sobre vulnerabilidades de cibersegurança apontadas pelas autoridades como motivo para a restrição a estrangeiros.
A Anthropic lançou recentemente o Mythos 5, apresentado como capaz de detectar falhas de segurança em grandes sistemas operativos, mas não foi disponibilizado ao público. O Mythos 5 foi seguido pelo Fable 5, uma versão com barreiras de proteção adicionais, que visava impedir respostas em áreas sensíveis como cibersegurança e biologia.
Reações e impactos
As autoridades norte-americanas não aceitaram as garantias da companhia sobre a fiabilidade das barreiras. Alegam que existem risco de contornar restrições éticas e de segurança, entendendo que a disponibilização a estrangeiros configura uma matéria de segurança nacional. O comunicado da Anthropic expressa desculpas pelo transtorno e descreve a suspensão como resultado de um mal-entendido.
A União Europeia reagiu ao anúncio, com o porta-voz Thomas Regnier a sublinhar que a decisão reforça a necessidade de soberania tecnológica na Europa. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, tem defendido uma regulação maior da IA, mas enfrenta agora impactos na sua estratégia de crescimento e em planos de abrir capital.
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