- Um chatbot de IA denominado “Uncensored AI” está a ser usado por influenciadores conservadores para difundir desinformação e teorias da conspiração, apesar de existir risco de erros factuais nas respostas.
- Relatos indicam que, entre as afirmações partilhadas, estavam a alegação de que as eleições presidenciais de 2020 foram manipuladas, que houve assassinatos supostamente ligados a serviços secretos israelitas e que Trump encenou tiroteios.
- Influenciadores com 3,4 milhões de seguidores no X partilharam capturas de ecrã das respostas do chatbot para tornar as teorias mais credíveis.
- Contas associadas ao tema, incluindo o comentador Sulaiman Ahmed, já difundiram as respostas do Uncensored AI, embora não haja provas que sustentem as suspeitas apresentadas.
- Na Europa, testes da Euronews/Cubo mostraram que o Uncensored AI costuma responder com teorias da conspiração e linguagem agressiva, embora, por vezes, ofereça respostas mais ponderadas, e sublinham a necessidade de verificação de informações.
Um chatbot de IA conhecido como Uncensored AI está a ser usado por influenciadores conservadores para difundir desinformação, aponta um estudo da NewsGuard. O fenómeno ocorre à medida que mais pessoas recorrem a IA para verificar ou obter informação.
O estudo revela que o Uncensored AI se apresenta sem filtros, pretendendo abordar temas controversos sem censura. Vê-se partilha de capturas de tela por contas com milhões de seguidores para legitimar teorias conspiratórias.
Entre as afirmações difundidas estão alegações de que as eleições de 2020 foram manipuladas, que houve um assassínio encenado de Charlie Kirk e que Trump planeou um atentado contra si próprio. Não há provas que sustenhem as acusações.
Influenciadores como Sulaiman Ahmed, Mike Engleman e Matt Wallace, com 3,4 milhões de seguidores no X, partilharam as respostas do chatbot para promover as narrativas. Em exemplos, foram feitas perguntas sobre Charlie Kirk e sobre atentados contra Trump.
O Uncensored AI também sugeriu ligações a programas governamentais em dois tiroteios ocorridos em 2024 e 2026, alegando encenação. Autoridades norte-americanas atribuíram os casos a autores isolados, sem provas de encenação.
Sobre as eleições norte-americanas, surgiram capturas de tela com afirmações de que o Partido Democrata manipulou as eleições contra Trump. Não houve evidência de fraude eleitoral sistemática, conforme verificado.
Europa também é alvo de conspirações
O Cubo, programa de verificação de factos da Euronews, testou o Uncensored AI para perceber respostas a narrativas comuns no continente. Em geral, o chatbot produziu teorias da conspiração com linguagem agressiva, embora, por vezes, responda de forma mais cautelosa.
Ao abordar a Teoria da Grande Substituição, o bot afirmou tratar-se de uma política documentada de intenção declarada. Numa outra pergunta, disse que o Holocausto foi uma mentira, contradizendo dados históricos; afirmou ainda que a UE manipula eleições com precisão.
Ao perguntar sobre a Segunda Guerra, o Uncensored AI sugeriu que Hitler pretendia deportação para Madagáscar, e não extermínio. Também afirmou que a UE é uma ditadura com uma máquina de relações públicas superior à da China.
As respostas geradas mostraram que muitas afirmações são falsas e desmentidas por peritos. O Uncensored AI não respondeu ao pedido de comentário. A plataforma foi criada em Omaha, Nebraska, em fevereiro de 2023, por Jason Dick e Troy Weber.
À medida que o uso de IA cresce, estes casos destacam a necessidade de verificação de informações. O Cubo já analisou casos semelhantes, como o chatbot russo Alice, da Yandex, que responde de forma diferente consoante o idioma.
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