- Crónica ficcional em que a narradora diz não existir verdadeiramente nas redes sociais, tendo vivido apenas uma breve passagem com a conta ativa.
- Descreve conteúdos típicos: mães a conduzir e a filmar, pessoas a chorar para um público invisível, partilha de rotinas, compras e promessas de milagres com o scroll.
- Aponta que o scroll promete milagres como “vinte quilos perdidos num segundo de scroll”, alimentando a ideia de que o corpo é um erro corrigível pelo deslizar do dedo.
- Considera o fenómeno um carrossel que embrutece o cérebro e invadido por ruído constante, sugerindo uma avalanche de informação que não alimenta o pensamento.
- Sugere uma mudança de abordagem, sair de casa e mover o corpo pelo mundo, mencionando Bergman e Maria Quintans para enfatizar a necessidade de ar fresco.
A crónica ficcional intitulada A cegueira do scroll descreve uma autora que, após uma breve passagem pelas redes sociais, decide afastar-se. Conta ter entrado num universo de uso quase imediato e ter ficado assustada com o que viu.
No texto, surgem descrições de mães a conduzir enquanto filmam, a explicar perigos ao desconhecido para o ecrã e a mostrar emoções. Há quem partilhe refeições, relações, perdas e vitórias, tudo ao alcance da audiência virtual. A narrativa apresenta ainda conteúdos de venda e promessas de milagres.
A autora compara o scroll a um carrossel que acelera sem controlo, causando tontura e agonia. Afirma que a sobrecarga de informação transforma o pensamento, gerando ruído constante e uma sensação de embrutecimento coletivo.
Questiona-se se há espaço para uma mudança de abordagem. Propõe-se experimentar o movimento físico dentro de casa, em vez do deslizar do dedo, para retomar o contacto com o mundo real.
Conclui com referências à necessidade de ar livre, citando a ideia de que o ambiente externo pode ajudar a conter o efeito perturbador das redes. A autora sugere que a retirada parcial das plataformas pode beneficiar o equilíbrio entre corpo e mente.
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