- O Papa Leão XIV publicou a encíclica Magnifica Humanitas, pedindo o “desarmamento” da inteligência artificial para impedir que esta domine a humanidade.
- A encíclica sustenta que as inovações tecnológicas não são neutras: podem aumentar a justiça, mas também ampliar desigualdades e concentrar poder nas mãos de poucos.
- Alerta para usos anti-humanos da IA, como manipulação de informação e violação da privacidade, e para sistemas que refletem vieses dos criadores.
- O documento não condena a tecnologia, mas propõe uma reinterpretação da Doutrina Social da Igreja na era digital.
- Exige regras justas e mecanismos de proteção, com participação de Estados, instituições supranacionais e comunidades na fixação de normas sobre trabalho, acesso a serviços e gestão de dados.
O Papa Leão XIV publicou a encíclica Magnifica Humanitas, dedicada à dignidade humana na era da IA, tornando-se no seu primeiro documento de grande fôlego. O texto enfatiza a necessidade de desarmar a inteligência artificial para evitar que domine a humanidade. A publicação ocorreu no Vaticano, com data de referência a 15 de maio.
A encíclica afirma que as inovações tecnológicas não são neutras: podem ampliar a participação e a justiça, mas também aumentar desigualdades, controlo e exclusão. Alertas sobre a IA concentrar-se nas mãos de poucos constam no documento, que aponta riscos de uso anti-humano como manipulação informativa e violação de privacidade. A mensagem não condena a tecnologia, mas redefine a Doutrina Social da Igreja face à revolução digital.
A obra destaca que patentes, algoritmos, plataformas digitais e dados estão concentrados, com consequências para o acesso e as oportunidades económicas. O Papa sustenta que o poder tecnológico precisa de supervisão pública, regras justas e mecanismos de proteção eficazes para impedir distorções e novas dependências.
A encíclica aborda o que classifica como novas formas de escravatura, associadas à extração de recursos para a IA e a impactos ambientais. Há preocupações com recrutamento, exploração sexual de menores e perfis falsos que amplificam contactos perigosos, defendendo limites de idade para uso de telemóveis e maior responsabilidade dos prestadores de serviços.
No âmbito laboral, o texto aponta que a IA pode desqualificar trabalhadores, aumentar a vigilância automatizada e reduzir tarefas a rotinas repetitivas. O Papa recomenda medidas de proteção ao emprego, requalificação profissional e participação dos trabalhadores em decisões que afetem o dia a dia laboral.
O Papa apela ainda a que estados e organizações internacionais garantam regras justas para comunidades locais, escolas e associações terem voz na gestão de dados, serviços e ambientes digitais. O objetivo é assegurar que a utilização de tecnologia seja orientada pela dignidade humana e pelo bem comum, não apenas pelo lucro.
Apelo a uma ordem social justa
A encíclica defende uma ordem social na era digital que assegure igualdade de acesso, proteja os mais vulneráveis e combata desinformação. O controle da utilização de dados e tecnologias deve estar sujeito a supervisão pública, com foco no bem de todas as pessoas.
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