- A investigadora carioca Renata Frade mapeou 247 comunidades de mulheres em tecnologia no Brasil e em Portugal, desenvolvendo uma tecnologia própria para identificar, categorizar e ligar redes femininas nesses ecossistemas.
- Doutorada em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais, vive em Portugal há quase uma década e atua nos setores académico, empresarial e público, com foco em tecnofeminismo, ética em IA e inclusão digital feminina.
- O estudo apresenta uma metodologia participativa e decolonial, abrindo um campo de estudos sobre representatividade feminina na tecnologia nos contextos lusófonos, além de gerar programas para jovens em territórios periféricos.
- Em 2023, organizou o livro Technofeminism: Multi and Transdisciplinary Contemporary Views on Women in Technology, considerado referência internacional; desde 2021 é editora e produtora de conteúdo do site Pop Junctions.
- Atualmente realiza um pós-doutoramento na Universidade Católica Portuguesa e busca parcerias entre Brasil e Portugal para projetos de inclusão digital, IA com perspetiva de género e políticas públicas voltadas a mulheres e jovens em tecnologia.
Renata Frade, pesquisadora brasileira radicada em Portugal, desenvolveu uma pesquisa comparativa sobre comunidades de mulheres em tecnologia no Brasil e em Portugal. O estudo mapeou 247 comunidades ativas e criou uma ferramenta tecnológica própria, capaz de identificar, categorizar e conectar redes femininas em ecossistemas tecnológicos.
A investigação, que une tecnologia, comunicação e inovação social, resulta de anos de atuação entre os mercados académicos, corporativos e públicos. Frade vive em Portugal há quase uma década e foca ações nos dois países lusófonos, com interesse em tecnofeminismo, ética em IA e inclusão digital feminina.
A pesquisadora é doutora em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais pela Universidade de Aveiro e pela Universidade do Porto. A obra científica consolidou uma metodologia participativa, feminista e decolonial aplicada ao estudo de comunidades digitais e já gerou programas para jovens em territórios periféricos.
Metodologia e alcance
Mapeamento de 247 comunidades, 25 entrevistas a lideranças e 50 entrevistas em eventos nacionais e internacionais compõem a base empírica. Além disso, foram realizados quatro estudos de caso aprofundados, incluindo iniciativas como Minas Programam e WiMLDS. A pesquisa também utilizou etnografia digital e focus groups para ampliar o entendimento da representatividade feminina.
Impacto e aplicações
O trabalho abriu um campo de estudos sobre mulheres em tecnologia nos contextos lusófonos e trouxe ferramentas voltadas à formação de adolescentes, jovens e comunidades periféricas. Programs como Fiocruz Hack Girls, LitGirlsBr e Logadas integram a linha de ações associadas ao estudo, com foco em inclusão digital e capacitação.
Trajetória e atuação
Antes da carreira acadêmica, Frade acumulou mais de 15 anos no empreendedorismo tecnológico e na comunicação digital. Formada em Comunicação Social pela PUC-Rio, atuou como jornalista, consultora e desenvolvedora de projetos para empresas internacionais. O contato com a tecnologia na década de 1980 moldou seu percurso desde a infância.
Formação e contribuições internacionais
A pesquisadora manteve vínculos com a comunidade acadêmica internacional, incluindo participação em conferências no MIT. Em 2010, cofundou a Punch! Comunicação e Tecnologia, contribuindo para projetos pioneiros no Brasil, incluindo aplicativos interativos para iPad. Em 2023 organizou e coeditou o livro Technofeminism, referência internacional sobre a relação entre feminismo e tecnologia.
Atuações atuais e próximos passos
Atualmente, Frade desenvolve um pós-doutoramento na Universidade Católica Portuguesa, com foco em IA e mulheres em tecnologia. Busca parcerias institucionais no Brasil e em Portugal para co-desenvolver projetos de inclusão digital, capacitação de jovens e políticas públicas de IA com perspetiva de gênero e decolonialidade. O objetivo é ampliar a pesquisa aplicada e ampliar o impacto social do campo.
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