- Fatih Birol afirmou que a crise energética atual é a maior da história, resultado da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, com o bloqueio do estreito de Ormuz.
- A AIE acredita que os governos vão responder de forma decisiva, como nas crises de 1970, e promovem eficiência e mudanças na matriz energética.
- Birol alertou que, nesta guerra, se perdem petróleo, gás e matérias-primas vitais (petroquímicos, fertilizantes, hélio, enxofre), num impacto superior às crises anteriores.
- O relatório da AIE mostra que, em 2025, 75% das novas centrais elétricas serão renováveis e 25% relacionadas a carvão, petróleo e energia nuclear; baterias cresceram 40% num ano e a produção nuclear atingiu máximo histórico; vendas de carros elétricos subiram 100% no Sudeste Asiático.
- A COP 31, em Antália, em novembro de 2026, será fundamental para redesenhar o mapa energético mundial e reduzir emissões; caberá aos governos definir políticas que mantenham a competitividade e preparem as indústrias do futuro.
Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), afirmou em Berlim, no 17.º Diálogo Climático de Petersberg, que o mundo enfrenta a maior crise energética da história devido à ofensiva liderada por Estados Unidos e Israel contra o Irão. O bloqueio do estreito de Ormuz, em 28 de fevereiro, agravou o cenário, restringindo uma parcela relevante do petróleo mundial.
O dirigente reforçou que as crises anteriores ocorreram em 1973, 1979 e com a guerra da Ucrânia em 2022. A partir dessas fases, observou, a indústria adaptou-se: redução de consumos, melhoria de eficiência e mudanças estruturais no mix de energia. A perda de matérias-primas essenciais é hoje mais grave.
Nas palavras de Birol, o impacto da atual crise supera as três anteriores somadas, não apenas em petróleo e gás, mas também em petroquímicos, fertilizantes, hélio e enxofre. Ao mesmo tempo, aponta para respostas estratégicas que consolidaram ganhos de eficiência no passado.
Transformação energética e oportunidades
Birol recordou que após as crises de décadas passadas houve forte impulso à eficiência. O exemplo brasileiro citeda bioenergia como fruto dessas mudanças, bem como a construção de parte significativa da capacidade nuclear. A transição elevou a participação de energias renováveis no sistema elétrico.
Segundo o último relatório da AIE, em 2025, 75% das novas centrais instaladas foram renováveis e 25% associadas a carvão, petróleo, gás ou nuclear. As baterias cresceram 40% num único ano, enquanto a produção nuclear atingiu máximo histórico.
As vendas de veículos elétricos registaram crescimento notório, com aumento de 100% no Sudeste Asiático. Birol salientou que espera uma resposta semelhante em indústria automóvel, setor elétrico e indústria em geral.
Para o diretor da AIE, governos devem desenhar políticas que mantenham a competitividade das várias indústrias e preparem o caminho para as do futuro, transformando a crise numa oportunidade.
Perspetiva para a COP31
Birol destacou que a COP31, a decorrer em novembro de 2026 em Antália, Turquia, será crucial para redesenhar o mapa energético mundial e reduzir emissões. O encontro deverá consolidar compromissos e acelerar a transição para um mix energético mais resiliente.
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