- O diagnóstico do CNIPES indica que mais de metade das instituições já adoptou IA no ensino, mas a implementação é pouco transversal e varia até dentro das próprias unidades.
- Propõe-se atualizar o ensino e a avaliação, com modelos centrados em competências, e atribuir ao docente o papel de arquiteto de aprendizagem e mentor.
- Sandra Soares, vice-reitora da Universidade de Aveiro, alerta para a rápida transformação e a necessidade de revisar curricularmente para que os estudantes não fiquem para trás.
- Defende-se uma literacia de IA generalizada, não restrita a áreas tecnológicas, para manter equilíbrio entre instituições e evitar desigualdades de competências entre estudantes.
- A avaliação deve privilegiar o processo em vez do produto final, reduzindo o uso agressivo de IA gerativa nos testes; o CNIPES apresentará recomendações ao Governo até ao fim de junho, após o evento em Tomar.
A era da inteligência artificial (IA) está a transformar o ensino superior, defendem especialistas. As instituições vão ter de atualizar o ensino e a avaliação, com foco em competências e aprendizagem orientada por desafios e projetos.
Sandra Soares, conselheira para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior, sustenta que a IA já está presente no quotidiano e nos contextos profissionais, exigindo revisão curricular para evitar que os estudantes fiquem para trás.
O diagnóstico nacional, apresentado pelo Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior (CNIPES), mostra que mais de metade das instituições já adotou IA no ensino. Contudo, a implementação é desigual entre unidades e áreas.
Em muitos casos, a formação docente é mais robusta do que a formação dos estudantes, com a IA integrada em disciplinas isoladas, cursos ou projetos, em vez de programas estruturais e transversais.
A responsável da Universidade de Aveiro aponta que a mudança é rápida e ainda existem lacunas de evidência científica. No entanto, a IA aumenta a urgência de reformular métodos de ensino e avaliação.
Universidades e politécnicos já avançam com estratégias, mas o relatório indica ritmos distintos. O objetivo é garantir equilíbrio entre instituições para que os estudantes adquiram competências iguais.
O texto propõe repensar o papel docente, que passaria a funcionar como mentor e arquiteto de aprendizagem, com os alunos a trabalharem de forma autônoma sob orientação. O modelo de avaliação também muda.
As avaliações devem privilegiar o processo e não apenas o produto final, reduzindo riscos de alunos que não desenvolvam competências essenciais. O uso da IA na produção de respostas rápidas é alvo de cuidado.
O CNIPES apresentou o relatório em Tomar, durante um evento sobre Liderança Estratégica para a IA na Educação Superior, com a participação de reitores e presidentes de institutos politécnicos.
Os contributos das instituições vão também influenciar as recomendações que o CNIPES enviará ao Governo até ao final de junho, orientadas para um ensino superior mais integrado na era da IA.
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