- Um vídeo viral do Conselho Norueguês do Consumidor alerta para a «enshitification» das plataformas, com perda de qualidade e mais funções pagas que dificultam a experiência do utilizador.
- A campanha envolve mais de 70 organizações de defesa dos consumidores em 14 países, que pedem aplicação mais firme de regras contra a «enshitification».
- A ideia difundida é que algumas plataformas passam a favorecer lucros com publicidade, subscrições e conteúdos gerados por IA, em detrimento da experiência do utilizador.
- O relatório do NCC aponta o Facebook como exemplo, com mudanças que priorizam conteúdos promovidos e publicidade, e considera a concorrência reduzida devido a fusões e aquisições que prendem os utilizadores.
- Na União Europeia, existem medidas como a Lei dos Mercados Digitais (DMA) e a Lei dos Serviços Digitais (DSA), mas especialistas defendem que apenas estas não bastam; pode ser necessária intervenção governamental adicional.
Um vídeo viral do Conselho Norueguês do Consumidor (NCC) está a colocar a enshitification no centro do debate sobre a qualidade das redes sociais. A peça alerta para a degradação de plataformas que outrora eram fáceis de usar e que passam a introduzir custos ou funcionalidades pagas.
O NCC aponta o Facebook como exemplo, onde o feed passou a incluir anúncios forçados e conteúdo gerado por IA. O vídeo tem milhões de visualizações e integra uma campanha global com foco na proteção dos consumidores.
Mais de 70 organizações de defesa dos consumidores, nos EUA, UE e Noruega, enviaram cartas a responsáveis políticos em 14 países. Pedem aplicação mais firme de regras contra a enshitification.
A campanha justifica a urgência ao defender que, quando a concorrência falha, as plataformas priorizam lucros em detrimento da experiência do utilizador. A ideia é reequilibrar poder entre consumidores, Big Tech e serviços alternativos.
A expressão enshitification foi cunhada em 2023 por Cory Doctorow, que descreve o processo de transformar serviços gratuitos em plataformas com subscrições ou bloqueios de monetização. O NCC detalha esse fenómeno com exemplos.
Segundo o NCC, não existe um limiar universal para considerar um serviço enshitified, o que torna a avaliação subjetiva. O relatório cita falhas de interligação de serviços e mudanças de foco de utilizadores para objetivos empresariais.
O estudo reforça que o efeito de rede dificulta a mudança entre plataformas. Criadores e utilizadores mantêm-se nas maiores redes por conveniência e pela necessidade de audiência, limitando alternativas reais.
Para combater o problema, a UE já adota medidas como a DMA e a DSA, que promovem interoperabilidade e responsabilidade das plataformas. A fiscalização pode chegar a coimas de até 6% do volume de negócios global.
Especialistas defendem que apenas leis existentes não bastam. É necessária intervenção governamental e incentivos para devolver prioridade aos utilizadores e à concorrência, sustentam o NCC e observadores.
Ainda não houve resposta formal da Comissão Europeia à campanha do NCC. Entretanto, avanços são vistos na América do Norte, onde alguns governos estudam respostas regulatórias adicionais.
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