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Uso do telemóvel relaciona-se com a queda da natalidade

Queda da natalidade pode ligar-se ao uso de smartphones, que reduz encontros cara a cara entre jovens e pode adiando ter filhos, com impacto demográfico

Caem as taxas de natalidade em muitos países do mundo
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  • Em 2024, a taxa de fecundidade na Alemanha foi de 1,35 filho por mulher, com 2025 a indicar nova quebra para cerca de 654.300 nascimentos (dados provisórios).
  • O BiB revela que, apesar de o desejo de ter filhos manter-se, as mulheres desejam 1,76 filhos e os homens 1,74, criando um “fertility gap” de 0,41 entre o desejado e o efetivamente tido.
  • Um estudo norte-americano aponta que os smartphones aceleraram a queda das gravidezes entre adolescentes, observando quedas globais desde a popularização de smartphones a partir de 2007.
  • Entre 2003 e 2019, o tempo dedicado a encontros presenciais caiu, enquanto o tempo em atividades digitais subiu, sugerindo impacto social na formação de relações e gravidezes.
  • Na União Europeia, nasceram cerca de 3,55 milhões de crianças em 2024 e a taxa média de fecundidade foi 1,34; estudos indicam que o teletrabalho pode aumentar a fecundidade em lares com pelo menos um dia semanal, apontando para ganhos potenciais de nascimentos.

Em vários países, as taxas de natalidade continuam a diminuir. Um estudo recente analisa a possível relação entre o uso de smartphones e o adiamento de gravidezes, sugerindo um papel do ambiente digital na vida social dos jovens.

Na Alemanha, a taxa de fecundidade em 2024 foi de 1,35 filhos por mulher, uma queda de 2% face a 2023. Dados provisórios de 2025 apontam para cerca de 654 300 nascimentos. O atraso de filhos surge como fenómeno central, dizem especialistas.

Apesar da queda, o interesse em ter filhos mantém-se, mostram dados do BiB. A análise com base no painel FReDA revela que, em média, mulheres desejam 1,76 filhos, homens 1,74. A diferença entre desejos e nascimentos duplicou entre as mulheres.

A influência dos smartphones

O Financial Times publicou, em maio de 2026, um estudo norte-americano que aponta o papel decisivo dos smartphones na redução das gravidezes entre jovens. O trabalho de Nathan Hudson e Hernan Moscoso Boedo analisou 128 países.

Nos EUA, a fecundidade entre raparigas entre 15 e 19 reduziu-se 71% entre 2007 e 2024, e entre mulheres 20 a 24 anos caiu 43%. Entre mulheres de 30 a 34 anos, o efeito foi nulo ou positivo. A queda mais rápida ocorreu entre adolescentes.

O mecanismo social é claro: quando o círculo social usa smartphones, os encontros presenciais diminuem, e isso reduz oportunidades de gravidezes não planeadas. Dados da American Time Use Survey sustentam a tendência.

Mais tempo online, menos encontros presenciais

Em 2003, jovens nos EUA tinham 68 minutos diários de contacto social presencial; em 2019, 38 minutos. O tempo dedicado a atividades digitais subiu de 22 para 96 minutos diários. O peso dos encontros cara a cara reduz-se com o tempo.

A análise também associou a expansão de redes 4G a quedas mais rápidas na fecundidade entre adolescentes. Em Inglaterra e País de Gales verificou-se o mesmo padrão, sugerindo que o acesso digital influencia comportamentos sociais.

O que fica claro e o que não

O estudo aponta sobretudo para gravidezes indesejadas entre adolescentes, não para a natalidade global. O valor reside em evidenciar um mecanismo social: menos tempo juntos, mais contacto via digital pode atrasar decisões familiares.

Entre mulheres com mais de 25 anos, o estudo não deteta grande impacto. O trabalho não explica, por si, a queda total da natalidade, apenas ilumina um aspeto da dinâmica demográfica atual.

Teletrabalho e políticas de família

Alguns autores defendem que políticas de apoio às famílias ajudam, mas não resolvem tudo. Em Alemanha, reformas de 2010 registaram aumentos na fecundidade, mas hoje crises econômicas pesam mais. O teletrabalho surge como fator a considerar.

Um estudo do ifo e da Stanford sugere que lares com pelo menos um dia de teletrabalho semanal exibem 14% mais nascimentos, em média. A flexibilidade laboral pode facilitar o planeamento familiar.

Na comparação internacional, a Austrália já adotou restrições de acesso de menores às redes sociais, um fator que pode influenciar o comportamento juvenil a longo prazo. O efeito completo ainda está por medir, com resultados esperados dentro de uma década.

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