- A demógrafa Luísa Loura, diretora da Pordata, afirma que Portugal pode saltar etapas na nova era tecnológica.
- O Interior perdeu população, serviços e oportunidades ao longo de décadas; o despovoamento é visto como resultado de atrasos históricos na qualificação da população.
- A revolução tecnológica, a imigração e o ensino superior são apontados como fatores que podem mudar o rumo do país.
- Sobre políticas públicas, explica que falhas no combate à desertificação advêm de um atraso de meio século na escolarização da população, dificultando acompanhar as economias líderes.
- Nos anos sessenta, cerca de vinte por cento da população em idade ativa deixou Portugal, principalmente das regiões mais deprimidas, para empregos mais bem remunerados no estrangeiro.
Durante décadas, o Interior de Portugal perdeu habitantes e serviços. A demógrafa Luísa Loura, diretora da Pordata, sustenta que o despovoamento resulta de atrasos históricos na qualificação, não apenas de falhas políticas. Em entrevista, aponta para a revolução tecnológica, a imigração e o ensino superior como possíveis agentes de mudança.
Loura afirma que a desertificação teve início quando a máquina produtiva de outros países passou a atrair portugueses para destinos com melhores condições. Nos anos 60, estimou-se que cerca de 20% da população em idade ativa saiu do país, principalmente das regiões menos dinâmicas.
Ela sublinha que Portugal enfrentou um atraso de cerca de 50 anos na escolaridade da população, em comparação com padrões de países avançados. Enquanto o país se concentrava em alfabetização básica, economias líderes já promoviam literacia científica e tecnológica.
Contexto histórico
Segundo a diretora da Pordata, esse desfasamento explica a baixa produtividade relative e as dificuldades na distribuição de riqueza. A aposta na qualificação é apresentada como chave para reequilibrar o território, mesmo em plena era tecnológica.
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