- O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) acusa opacidade na digitalização das provas e ameaça recorrer à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA) se não houver respostas do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).
- O MECI respondeu com alarmismo, afirma o ministro Fernando Alexandre, e garante que as escolas vão receber todas as informações necessárias antes dos exames de junho.
- A medida envolve o envio das folhas de resposta para centros de digitalização e, no secundário, o transporte para agrupamentos de exames pelas forças de segurança, com falta de details sobre procedimentos e entidades envolvidas.
- O MECI alegou questões de segurança e confidencialidade para não divulgar mais informações sobre os procedimentos administrativos e operacionais da digitalização.
- Enquanto o MECI aponta benefícios como avaliação mais rigorosa e objetiva, a MEP teme impactos na classificação e prevê possível aumento de pedidos de reapreciação e revisões.
O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) questiona a digitalização das provas e exames nacionais previstas para este ano, alegando opacidade no processo e a falta de informações públicas. Em comunicado, o grupo afirma que alunos, pais e professores têm direito de saber quem acede às provas, como decorre a digitalização e que entidades externas poderão estar envolvidas. O MECI não confirmaria detalhes adicionais.
O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) já respondeu, classificando as preocupações de alarmismo. O responsável pela pasta, Fernando Alexandre, afirma que entidades com experiência acompanham a operação e que Portugal é exemplar neste tipo de processos. Garantiu que as escolas terão toda a informação antes do início dos exames, em junho.
Segurança e transparência
Em resposta ao PÚBLICO, o MECI explicou que, no âmbito da digitalização das folhas de resposta, são asseguradas condições de segurança, confidencialidade e integridade. Contudo, a divulgação de procedimentos administrativos poderia comprometer a segurança das provas e prejudicar a avaliação externa e os alunos.
Os exames deste ano vão sofrer mudanças na logística. No 3.º ciclo, as provas serão enviadas a um centro de digitalização do Júri Nacional de Exames, com a equipa a desconhecer procedimentos, entidades envolvidas e, em muitos casos, até a morada de envio. No secundário, o transporte é feito pelas forças de segurança para os agrupamentos de exames, mantendo-se incerta a localização da digitalização.
Reações do corpo docente
A MEP sustenta que, durante décadas, as entidades envolvidas eram conhecidas sem comprometer a segurança. A porta-voz Cristina Mota afirma que professores e alunos têm questionado o tema e que há intenção de recorrer à CADA para exigir transparência caso o ministério não forneça respostas satisfatórias.
Fernando Alexandre defende que a digitalização oferece ganhos de rigor, objetividade e equidade na avaliação. Explica que, em vez de uma avaliação integral por docente, cada professor corrige apenas uma parte das questões, o que poderá reduzir vieses e aumentar a eficiência e a geração de estatísticas.
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