- Delegados no Fórum Urbano Mundial em Baku alertam que a guerra e as alterações climáticas aceleram mudanças nas cidades, defendendo a rejeição de modelos habitacionais padronizados.
- Na região de Kiev, foram recuperadas 24 mil infraestruturas, com 80% reconstruídas; o Azerbaijão participa no apoio, já com duas obras concluídas (uma escola em Irpin e um hospital com abrigo) e mais quatro projetos em curso.
- Irpin estreitou parcerias com Lachin, no Azerbaijão, e 100 crianças da região de Kiev vão participar num campo de férias de saúde no país neste verão.
- O Relatório da ONU-Habitat aponta que quase três mil milhões de pessoas sofrem com habitação inadequada, custos elevados ou falta de serviços, com mais de 1,1 mil milhões a viver em bairros de lata ou asentamentos informais.
- Na Europa, cerca de 20% dos fogos no espaço habitacional estão vazios; é necessária estratégia que mobilize financiamento privado para habitação acessível, com um plano de oito pontos apresentado pelo grupo de trabalho da Comissão Europeia.
A guerra e as alterações climáticas estão a acelerar mudanças nas cidades, alertam delegados no Fórum Urbano Mundial (WUF13) em Baku.O ritmo de reconstrução excede a resposta governamental, sobretudo nas regiões afetadas pela invasão russa e pelo agravamento climático.
Na região de Kiev, a recuperação é liderada pela Administração Regional de Kiev, que indica ter recuperado 24 mil infraestruturas, 80% do total. O presidente, o governo e parceiros internacionais são citados como fundamentais nesse esforço.
O Azerbaijão, com a SOCAR, tornou-se parceiro direto. Dois projetos já concluídos em Irpin incluem escola e hospital com abrigo subterrâneo, necessários pela periculosidade da zona. Estão previstos mais quatro projetos de habitação e infraestruturas sociais.
Irpin manteve parceria com Lachin, no Carabaque, para cooperação além da construção. Além disso, 100 crianças da região de Kiev devem participar num campo de férias de saúde no Azerbaijão neste verão, segundo os delegados.
Clima e financiamento global
Moges Tadesse, diretor de resiliência de Adis Abeba, alerta para impactos graves nas cidades africanas, não apenas na habitação, mas na economia e na vida humana. Pede maior investimento internacional para custos gerados pela crise climática, destacando a responsabilidade de economias mais ricas.
O economista Jeffrey Sachs avisa que a África pode ver a urbanização duplicar na África Subsaariana nos próximos 25 anos, exigindo habitação e emprego em grande escala. O aumento populacional pressiona os mercados urbanos.
Na América Latina, a tendência é inversa: cerca de 20% das famílias são compostas por um único indivíduo, o que reconfigura a procura por fogos urbanos mais pequenos e acessíveis.
A filantropa Lamia bint Majid Al Saud defende que não existe modelo único para todas as regiões, defendendo soluções locais adaptadas ao contexto de cada cidade.
Habitação na UE em foco
Matthew Robert Baldwin, da Comissão Europeia, aponta que 20% dos fogos na UE estão vazios e arrendamentos de curta duração crescem, o que é considerado problemático. O financiamento público isolado não basta para resolver a oferta de habitação.
O grupo de trabalho apresentou um plano de oito pontos para melhorar a habitação acessível no bloco. A ONU-Habitat, por sua vez, relata quase 3 mil milhões de pessoas afetadas por habitação inadequada ou custo elevado, com 1,1 mil milhões a viver em bairros informais.
O relatório ainda indica que os preços da habitação sobem mais rápido que os rendimentos em várias regiões, agravados por deslocamentos climáticos e desigualdades. Ben Arimah avisa que os problemas irão piorar até 2050, e que apenas 25% da população mundial pode aceder a crédito para habitação.
O Fórum prossegue em Baku até 22 de maio.
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