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Críticas e elogios à VCE do Porto: o futuro da VCI preocupa especialistas

Especialistas defendem que o futuro da Via de Cintura Interna exige investimento reforçado em transportes públicos, ante a polémica sobre a Via de Cintura Externa

Quando o resto da Europa está à procura de soluções para garantir mobilidade mais sustentável, nós estamos mais uma vez a tentar resolver o problema do congestionamento através de mais oferta de infraestrutura rodoviária
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  • Especialistas ouvidos pela Lusa analisam o futuro da Via de Cintura Interna (VCI) e defendem mais investimento em transportes públicos, em vez de expandir a rede rodoviária.
  • Cresce a crítica à construção de mais vias numa área com elevada densidade de infraestrutura, com risco de aumentar a procura rodoviária, dispersão urbana e problemas de mobilidade no futuro.
  • O anúncio da Vi a de Cintura Externa do Porto (VCE), entre a VCI e a CREP, foi visto como uma decisão tomada em cimeira, suscitando dúvidas sobre se substitui a VCI ou gera uma ampliação cumulativa de carros nas ruas.
  • Defende-se que a solução para o Porto passa pela melhoria do transporte coletivo e pela reconversão da VCI em avenida urbana, evitando apenas mais quilómetros de rodovia.
  • Alguns especialistas consideram o traçado da VCE adequado, desde que integrando a VCI na cidade e promovendo um modelo de transporte público mais atrativo; investir em transportes públicos continua a depender do tipo de investimento escolhido.

Entre críticas à VCE do Porto e elogios à sua necessidade, especialistas analisam o futuro da VCI e a aposta em transportes públicos. A informação foi veiculada pela Lusa, com base em especialistas da região.

O Primeiro-Ministro Luís Montenegro anunciou a construção de uma nova Via de Cintura Externa (VCE) que ligará a VCI à CREP, durante uma cimeira no Porto com os presidentes municipais de Porto e Lisboa. O objetivo é avaliar o que vem a seguir para o tráfego no território.

A VCE surge numa área com elevada densidade de infraestruturas rodoviárias. Os especialistas questionam se a obra substituirá a VCI ou será uma alternativa que mantém vias interiores, incidindo já sobre reconversão urbana e mobilidade.

Para a professora Cecília Silva, o projeto pode aumentar a oferta de estradas em vez de resolver o congestionamento. A ideia é criticada por potenciais impactos na dispersão urbana e na procura rodoviária.

Outro ponto de vista, o geógrafo José Rio Fernandes, aponta que decisões deste tipo devem considerar o contexto metropolitano e os municípios vizinhos para terem eficácia.

Quanto à VCE, alguns veem potencial se o traçado ligar a A20 a Gondomar, com uma ponte que não desvalorize a VCI mas promova melhoria do eixo A32-CREP, em Gaia.

Há quem defenda que, sem transporte público de qualidade, a VCE pouco altera o uso da viatura individual, mantendo uma pressão sobre as ruas centrais da cidade.

Especialistas também discutem o papel do transporte público. Se a solução ficar dependente de opções como o metrobus, há receios de efeitos negativos já vistos noutros projetos.

Em síntese, a ideia central é tornar o espaço urbano mais eficiente, transportando mais pessoas por veículo. O debate continua quanto ao equilíbrio entre vias novas e investimento em redes de transporte público.

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