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Famílias portuguesas pagam mais pelo Ensino Superior

Famílias portuguesas pagam mais que a média da UE pelo ensino superior, com retorno salarial alto; custos iniciais e financiamento insuficiente pressionam sistema

O relatório recomenda reforçar do financiamento das instituições e das bolsas para "reduzir os custos iniciais dos estudantes"
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  • Famílias portuguesas pagam mais do dobro da média da União Europeia pelo Ensino Superior, com custos diretos elevados que podem exigir obstáculos à entrada.
  • A dotação por estudante em Portugal é 35% inferior à média da UE, e as famílias sustentam 30% das despesas,face a 13% na média europeia; o modelo público com propinas está sob pressão.
  • Globalmente, países com maior intervenção direta nas bolsas ou transferências para estudantes variam: Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul ampliam apoio; Suécia, Dinamarca e Noruega têm gastos familiares residuais.
  • O retorno económico do investimento no Ensino Superior é elevado em Portugal: 13,7 euros por cada euro investido, com mestrado a trazer ganhos maiores; cursos profissionais apresentam ganhos mais modestos.
  • Recomenda-se reforçar o financiamento das instituições e das bolsas, ajustar propinas com salvaguardas para não excluir estudantes e considerar empréstimos indexados aos rendimentos; as instituições devem oferecer apoio profissional para colocação laboral.

O ensino superior em Portugal tem um custo significativo para as famílias, que pagam mais do que o dobro da média da UE. O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos analisa, ainda, que o retorno financeiro de investir num diploma é elevado em Portugal.

Os investigadores alertam que, apesar de os custos absolutos serem baixos, os custos diretos como propinas pesam mais no PIB per capita nacionais face a muitos países europeus. Assim, o obstáculo à entrada no ensino superior pode aumentar.

O modelo de financiamento público com propinas está sob pressão. Portugal apresenta uma dotação por estudante 35% abaixo da média da UE, enquanto as famílias suportam 30% das despesas, contra 13% na média europeia.

Em comparação internacional, a Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul destinam mais recursos às famílias através de transferências diretas aos estudantes. Já na Suécia, Dinamarca e Noruega, o peso das famílias é mínimo, em 4% ou menos.

O relatório recomenda reforçar o financiamento às instituições e ampliar bolsas para reduzir custos iniciais dos estudantes de baixos rendimentos. Qualquer atualização de propinas deve ser acompanhada de apoios para evitar exclusão escolar.

Maior retorno

A relação custo-benefício em Portugal é elevada: por cada euro investido, o retorno é de 13,7 euros, 68% acima da média da UE. Em 2023, um mestre no início da carreira ganha 49% a mais que quem tem apenas o ensino secundário; o licenciato ganha 28%.

Os investigadores destacam que o ganho salarial aumenta com a experiência. Em contraste, os cursos profissionais não traduzem ganhos significativos a curto prazo, com diferença salarial residual.

Saber mais

Ano recorde: em 2024, mais de 100 mil estudantes concluíram cursos, registando um novo máximo. A participação de jovens entre 25 e 34 anos com Ensino Superior subiu para 43%, quase quadruplicando em 25 anos.

Contexto familiar: 47% dos alunos com pais sem Ensino Superior optam por cursos profissionais, enquanto apenas 20% dos filhos de adultos diplomados seguem esse caminho.

Pouco inativos: jovens entre 25 e 34 anos com diploma são dos menos inativos na Europa, com taxas de 5,7% (diploma) e 7,8% (ensino secundário), abaixo das médias da OCDE.

Proposta: as instituições de ensino superior devem criar serviços de apoio profissional que contribuam para a colocação de diplomados e a progressão no mercado de trabalho.

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