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Esquecimentos da Esquerda em matéria de imigração geram críticas

Cinquenta anos depois, imigrantes continuam a enfrentar condições precárias, e a esquerda é questionada pela falta de ações reais e pelo discurso moralista

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  • Retoma-se um artigo de 1976, em Faire, assinado por Jean Le Garrec, que denunciava a exploração da mão de obra imigrante e más habitações, levando à greve com apoio de sindicatos.
  • Cinquenta anos depois, os imigrantes continuam a viver em condições precárias em Portugal, com alojamentos pequenos, caves e beliches, e muitos em situação de rua em Lisboa e no Porto.
  • O texto questiona a posição da Esquerda portuguesa, acusando-a de estigmas e de um discurso que, para além do humanismo, se mostra economicista e próximo do discurso patronal.
  • Recorda tempos em que sindicatos organizavam a chegada de mão de obra imigrante e governos socialistas imponham quotas para evitar degradação salarial e promover integração em igualdade com nacionais.
  • Cita a afirmação de Roy Hattersley, em 1965, sobre a necessidade de restrições para a integração, argumentando que hoje a Esquerda se afasta das condições de vida dos imigrantes.

Entretido em arrumações, encontrei numa antiga edição da revista Faire (1976) uma entrevista de António Lopes Cardoso sobre a reforma agrária. Entre as páginas, chama a atenção um breve artigo de Jean Le Garrec sobre a imigração e a exploração da mão de obra estrangeira.

O texto denuncia mecanismos de exploração salarial e más condições de habitação, onde imigrantes viviam em alojamentos precários. Segundo o relato, os trabalhadores recorriam à greve e recebiam apoio de outros sindicatos.

Cinquenta anos depois, persistem condições ainda gravosas. Relatos apontam para alojamentos minúsculos, caves insalubres e moradores em ruas de Lisboa e do Porto. Há casos de alojamentos com habitabilidade precária, conforme imprensa local.

Pergunto onde ficaram as manifestações da Esquerda portuguesa que se afirma solidária aos imigrantes. A crítica dirige-se a um discurso que, em defesa de uma imigração ampla, não aborda problemas de integração e de capacidade de acolhimento.

Historicamente, sindicatos organizavam a entrada de mão de obra e governos definidos por quotas visavam evitar degradação salarial. Em 1965, Roy Hattersley defendia que sem restrições a integração é inviável, lembrando uma relação entre política e mercado de trabalho.

Fica a leitura de que há décadas a Esquerda se alinhava com uma visão de ajuste capitalista. Hoje, diz-se que a imigração é necessária, mas sem que se reconheçam plenamente as condições de vida desses indivíduos.

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