A Região Metropolitana de Coimbra (RMC) alerta para atrasos nos pagamentos de apoios aos municípios afetados pelos incêndios do verão de 2025. A denúncia consta de um relatório enviado à agência Lusa, que também aborda os impactos financeiros decorrentes das tempestades e inundações de janeiro e fevereiro. A RMC afirma haver pressão sobre os orçamentos municipais pela resposta imediata necessária, incluindo intervenções de emergência e reposição de serviços.
Segundo o documento, persiste a indefinição da elegibilidade de despesas, gerando dúvidas sobre encargos suportados pelos municípios sem garantia de financiamento por parte da administração central. A situação agrava-se com atrasos nos apoios relativos a ocorrências anteriores, nomeadamente os incêndios do verão passado, ainda sem pagamento aos municípios afetados.
Despesas e prejuízos
Soure é apontado como o município com maior prejuízo, acumulando 26 milhões de euros devido às tempestades e cheias do início do ano. O total de danos na RMC atinge quase 142 milhões de euros, repartidos entre infraestruturas, equipamentos públicos e vias de comunicação. Cinco municípios — Soure, Penacova, Montemor-o-Velho, Coimbra e Oliveira do Hospital — concentram 65,6% dos prejuízos.
Perguntas sobre gestão e financiamento
A nota da RMC aponta problemas de governança e de articulação institucional entre entidades, bem como morosidade na ativação e transferência de apoios financeiros. Também é destacada a falta de previsibilidade nos mecanismos de financiamento e a sobrecarga administrativa municipal.
Impactos operacionais
Relata-se atraso na execução de obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) devido ao mau tempo. Há interrupção ou abrandamento de empreitadas em curso, especialmente em infraestruturas hidráulas, mobilidade e valorização territorial, com risco de incumprimento de prazos contratuais.
Desafios futuros
O relatório sublinha a necessidade de uma estratégia integrada para o Baixo Mondego, com foco na mitigação de cheias e adaptação às alterações climáticas. Propõe ainda reforçar investimentos em prevenção e resiliência, simplificar mecanismos de financiamento e melhorar a coordenação entre a administração central, entidades setoriais e autarquias.
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