A OCDE prevê uma transformação demográfica nos Açores, com uma queda de 50% na população ativa até 2080 e um aumento de 60% dos residentes idosos. O estudo foi apresentado em Ponta Delgada e refere impactos significativos na despesa pública regional.
O relatório, elaborado pelo economista Jaebeum Cho, alerta que o envelhecimento irá agravar as pressões sobre serviços, infraestruturas e financiamentos na saúde, transportes e educação. O peso da despesa regional já foi de 55,2% do total em 2023, segundo o documento.
A análise destaca que a redução da base fiscal e a menor margem de endividamento vão exigir novas infraestruturas e serviços para turistas e residentes não permanentes. O objetivo é assegurar sustento financeiro às políticas regionais.
O documento é apresentado no âmbito da iniciativa europeia Helping Regions Adapt to Demographic Change, integrada no Pilar 2 do Talent Booster da Comissão Europeia. A OCDE recomenda uma estratégia regional alinhada ao planeamento da região.
Impacto financeiro e recomendações
O relatório aponta que a sustentabilidade das finanças regionais pode ficar comprometida a médio prazo, com risco de agravar disparidades entre ilhas. Aumento de gastos pode exigir ajustes na despesa pública e na qualidade de serviços.
O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, considerou que o diagnóstico confirma políticas públicas em curso. Enfatizou a demografia como prioridade e realçou reformas já implementadas para reduzir precariedade e promover rendimento disponível.
A OCDE recomenda ainda fortalecer a coordenação entre nível regional e municipal, preparando a economia e infraestruturas para a mudança demográfica. A ideia é reduzir impactos negativos e manter investimentos estratégicos.
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