Cerca de 40 mil alunos estiveram sem professor no segundo período, de acordo com um balanço da Fenprof divulgado nesta segunda-feira, início das férias da Páscoa. A estimativa aponta para carências generalizadas nas escolas portuguesas, resultado direto da falta de docentes.
Segundo a Federação Nacional dos Professores, o aumento de pedidos de contratação de escola explica o agravamento. O total de horários em contratação de escola passou de 4.700 para 5.198, um crescimento de 10,6%, e as horas de aula subiram de 87.175 para 96.022.
Cenário nacional e regional
O relatório evidencia que a falta de docentes deixou de ser um problema apenas de Lisboa e Vale do Tejo, estendendo-se ao Norte do país. O Porto destacou-se com 579 horários em aberto, indicando uma realidade de carência mais ampla.
Continuam entre os mais procurados professores do 1.º ciclo, de Português e Educação Especial, bem como docentes de Francês, Inglês e Matemática. O Ministério da Educação sustenta que os números não equivalem a alunos sem aulas, devido aos mecanismos de substituição existentes nas escolas.
O MEC anunciou a criação de um sistema para que este ano letivo seja possível conhecer quantos alunos ficam sem aulas e em que disciplinas, embora ainda sem apresentação pública. A Fenprof entende que há espaço para minimizar o problema com a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), cuja tramitação já se prolonga.
Medidas e perspetivas
A Federação afirma que a atual revisão do ECD pode provocar mudanças profundas, incluindo a eliminação de mobilidade interna e de várias modalidades de recrutamento, o que contribui para a instabilidade. O sindicato defende ações urgentes para atrair jovens para a profissão e reter docentes.
A Fenprof manteve a ideia de que o terceiro período pode trazer novas ações de luta, incluindo a possibilidade de greves. O Conselho Nacional marcou uma manifestação para 16 de maio, reforçando a pressão sobre o Governo.
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