O Papa Leão XIV denunciou, durante a sua passagem pelo Mónaco, o agravamento dos abismos entre pobres e ricos. O discurso foi proferido em francês, na varanda do Palácio do Príncipe, diante de Alberto II e dos principais dignitários do principado. O Papa afirmou que as estruturas de poder favorecem os privilegiados e excluem os rejeitados, pondo em risco a paz mundial.
A mensagem enfatizou que cada talento e recurso deve ter um destino universal, evitando a retenção de bens que poderiam melhorar a vida de muitos. O pontífice destacou ainda que viver no Mónaco implica uma responsabilidade de refletir sobre o próprio lugar no mundo, num momento de tensões globais.
Alberto II reforçou a ideia de solidariedade como imperativo para quem tem mais meios. O príncipe frisou que mesmo pequenos Estados podem contribuir para o bem comum, desde que permaneçam fiéis aos seus valores.
Agenda da visita
Antes do discurso, o príncipe Alberto II recebeu o Papa e a comitiva no Palácio, com honras oficiais. O pontífice chegou de helicóptero e ficará nove horas no total, marcando a primeira visita a um país europeu de uma figura papal na era moderna.
Quatro momentos principais compõem a turnê no Mónaco: encontro de cortesia com a família real, discurso às autoridades, reunião com a comunidade católica na Catedral da Imaculada Conceição e encontro com jovens na praça em frente à Igreja de Sainte-Dévote.
A agenda prevê ainda uma missa de encerramento no Estádio Luís II. O Vaticano destaca que a visita visa reforçar compromissos como proteção da criação, defesa da vida e solidariedade internacional, com foco nos mais vulneráveis.
Contexto institucional
O Mónaco, pequeno Estado da Riviera francesa, é uma monarquia constitucional com forte tradição filantrópica. O Vaticano descreveu a viagem como um impulso à missão da Igreja local, num momento em que a Igreja quer ampliar o diálogo com comunidades católicas internacionais.
O Papa chegou ao principado numa operação que inclui a participação de uma delegação vaticana, liderada pelo cardeal Pietro Parolin, e marca a segunda viagem apostólica internacional do seu mandato. O objetivo é promover cooperação em temas sociais e humanitários.
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