Em Portugal, mais de 80% dos jovens com cursos científico-humanísticos vão para o ensino superior, enquanto no ensino profissional cerca de 40% do total dos alunos do secundário o escolhe. A passagem para a universidade mantém-se mais elevada, mesmo entre os que optam por formação técnica.
Na oficina Pronto a Usar, o cheiro a gasóleo marca o ambiente. Carros entram, motores arrancam e um mecânico com 37 anos de experiência trabalha acompanhado por dois assistentes jovens e outros três colegas da mesma geração. O cenário revela o contexto de carência de mão de obra na área.
A sobrecarga de trabalho preocupa os profissionais, que dizem existir poucos jovens dispostos a seguir mecânica e outras profissões manuais. O proprietário da Motauto, Nuno Ribeiro, aponta que estes ofícios exigem esforço, habilidade e muita dedicação, além de salários insuficientes para atrair talento.
A visão social do ensino profissional também pesa. Um estudo de 2025 da Fundação Francisco Manuel dos Santos mostra uma perceção pública ainda negativa, associando o ensino profissional a menor exigência académica. Pais e familiares reforçam esse preconceito, assim como alguns estudantes.
Apesar de altas taxas de empregabilidade em áreas técnicas, o ensino profissional continua pouco valorizado face ao ensino regular. Muitos alunos veem nos cursos profissionais uma via de menor exigência, o que não corresponde à prática, segundo os formadores.
Em plena era de mudanças tecnológicas, a formação técnica pode tornar-se mais segmentada e relevante para o mercado. Os jovens mecânicos reconhecem alterações no perfil profissional exigido e a aposta em formação prática integrada com teoria.
Entre na conversa da comunidade