O texto revisita a infância da autora nos anos 80, quando o carro da família era um Mini azul. Nele cabiam quatro filhos, os pais, a avó materna e, por vezes, um desconhecido a pedir boleia à beira da estrada. A viagem era uma aventura entre serras, montes e percursos imprevisíveis.
As viagens não tinham telemóvel nem tecnologia moderna. O rádio ficava ligado, às vezes guardado debaixo do assento, e o conjunto de músicas incluía Roberto Carlos. A família carregava uma dinâmica de afeto, com o desconhecido acolhido pela avó e o carro a servir de abrigo móvel.
Ao longo das jornadas, havia paragens que marcavam cada memória: visitas a familiares em Miranda do Corvo, almoços simples e o convívio com histórias de Angola. Cada regresso envolvia mapas e rotas alternativas traçadas pelo pai, desafiando o cansaço dos miúdos.
Mudança de tempo e de confiança nas estradas
Com o passar das décadas, o fenómeno das boleias tornou-se menos comum e mais desaconselhado. A autora aponta que a curiosidade pela estrada contrasta com o receio atual de viajar com desconhecidos, refletindo mudanças culturais e de segurança.
Hoje, é comum observar jovens com mochilas a pedir boleia de forma distante, enquanto os pais e familiares mantêm a cautela. O texto sugere que a confiança coletiva de antigamente dava lugar a uma maior vigilância e prudência nas estradas de Portugal.
O relato mantém um tom nostálgico, mas apresenta uma leitura objetiva sobre como as vivências de família moldaram uma visão otimista do mundo. O tema central permanece a ligação entre memória, convivência e transformação social ao longo do tempo.
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