O Teatro de Animação de Setúbal, o PS e o BE criticaram o voto contra do Chega aos apoios municipais a duas companhias de teatro. Alegaram que a posição visa censurar a liberdade artística e os valores democráticos.
A polémica nasceu das justificações apresentadas pelos eleitos do Chega, que entenderam que o TAS apresentou uma agenda ideológica divisiva ao encenar a peça Manual do Bom Fascista, e que o Teatro Estúdio Fontenova participou na 1.ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ em Setúbal.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o BE acusa o Chega de regresso da censura. O partido lembra que o executivo municipal aprovou, por maioria, os apoios às duas companhias.
Para o BE, o argumento do Chega sobre o TAS baseia-se na obra de Rui Zink, interpretando-a como uma caricatura inadequada de conservadorismo, patriotismo e valores tradicionais. No caso do Fontenova, a crítica aponta para motivos ligados à participação na marcha do Orgulho.
O Bloco de Esquerda sustenta que as justificações do Chega para o voto contra não passam de razões políticas com tom discriminatório. A coordenação concelhia de Setúbal vê neste episódio uma tentativa de condicionamento da atividade cultural.
O PS também reagiu, afirmando que o argumento utilizado pelo Chega ataca valores democráticos. Segundo o partido, as instituições culturais locais representam uma parte essencial da identidade de Setúbal e devem ser tratadas com neutralidade.
O TAS respondeu aos votos de oposição com surpresa, destacando o papel das artes como expressão livre. A companhia afirmou que a censura não faz parte de uma democracia que valoriza a diversidade cultural e a identidade regional.
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