- O filme “Fogo do Vento”, de Marta Mateus, chega às salas esta semana; a revista The New Yorker classificou-o como um dos 20 melhores filmes de 2025.
- A obra, com pouco mais de uma hora, mostra o Alentejo e trabalhadores das vindimas, entre memórias e uma interrupção causada por um touro à solta.
- Foram sete anos entre a pesquisa, a escrita e a rodagem, envolvendo quatro anos de produção.
- O filme arrecadou prémios em vários festivais: FIPRESCI no Festival de Gijón; Melhor Primeiro Filme no Festival de Busto Arsizio; Prémio Especial do Júri no Avant-Garde Film Festival de Atenas; Melhor Realização no Caminhos do Cinema Português; e o Grand Jury Prize no Most – Festival Internacional de Cinema del Vi, na Catalunha.
- A realizadora considera o filme uma homenagem às gentes do Alentejo e destaca desafios de distribuição em Portugal, defendendo quotas para cinema nacional semelhantes às existentes em França.
Foi lançado nas salas de cinema esta semana o filme Fogo do Vento, de Marta Mateus. A produção, já reconhecida internacionalmente, integra a lista dos 20 melhores filmes de 2025 pela revista The New Yorker. A estreia chega com forte acompanhamento crítico, especialmente pela fusão entre imagem e narrativa.
Ao longo de pouco mais de uma hora, o ecrã mostra o Alentejo durante as vindimas, onde trabalhadores partilham tarefas e inquietações. Um touro solta-os para as árvores, momento que despoja memórias de um tempo passado e abre espaço a reflexões coletivas.
Entre pesquisa, escrita e quatro anos de rodagem, passaram-se sete anos de projeto. O filme recebeu palmarés em várias frentes: FIPRESCI em Gijón, Melhor Primeiro Filme em Busto Arsizio, e Prémio Especial do Júri em Atenas, entre outros.
Prémios e equipa
A realizadora descreve o trabalho como uma homenagem às gentes do Alentejo, com o objetivo de promover o reencontro entre pessoas e o reforço do sentido de comunidade. A partir de conversas com os atores, o texto do filme ganhou corpo, incluindo contribuições de uma octogenária analfabeta, descrita como fonte inesgotável de histórias. Maria Catarina surge como uma voz marcante na narrativa, cujos relatos ajudaram a estruturar o tom poético do filme.
Para além das cenas, o material reúne uma espécie de colagem de contos e poesia popular, cujo registo original se perdeu, mas que resulta numa sequência de frases quase bíblicas, segundo a diretora.
Mesmo com a receção internacional positiva, o filme enfrenta o desafio da aceitação interna. O público português tem mostrado aversão ao cinema nacional e uma redução de salas, segundo a realizadora. Ela sugere quotas semelhantes às da França para o cinema nacional como possível solução.
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