- Na Alemanha não há abrigos públicos operacionais prontos a usar de imediato em emergência; centenas de bunkers da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria ainda existem.
- A associação Berliner Unterwelten quer reabrir dois bunkers em Berlim este ano e preparar espaços para até cerca de 900 pessoas, com cadeiras e água disponíveis.
- Para ficar operacional, seria necessário instalar um novo sistema de ventilação e realizar obras, dependendo do tempo de permanência desejado no abrigo.
- O BBK (Gabinete Federal de Proteção Civil) trabalha há dois anos num conceito de abrigos; o Governo e o Senado de Berlim ficam, porém, sem detalhes públicos sobre o tema.
- O debate ganhou força com novas mapping sobre ameaças modernas, incluindo drones, levando à promoção de abrigos descentralizados e à continuidade de investimentos de proteção civil anunciados pelo governo.
A Alemanha não tem abrigos públicos operacionais prontos para uso imediato em caso de emergência. Ainda existem bunkers da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria, mas nenhum abrigo de proteção civil funcional para a população. Em alerta aéreo, os cidadãos só poderiam recorrer a alguns bunkers seleccionados.
A Berliner Unterwelten, associação que gere cerca de 20 instalações subterrâneas em Berlim, propõe devolver algumas estruturas ao uso público. Duas dessas instalações deverão voltar a funcionar como abrigos ainda este ano, com paredes de betão espessas e portas de metal que podem vedar o espaço.
O que propomos é disponibilizar a instalação à proteção civil, explica Kay Heyne, responsável pelas visitas da associação. A ideia é tornar os bunkers operacionais num prazo curto, adaptando-os para acolher até 900 pessoas em situações de emergência.
A associação já avançou com preparativos práticos: cadeiras dobráveis para longa permanência e centenas de bidões de água para abastecimento. Em Berlim, as visitas guiadas geram receitas que financiam a manter as estruturas. No entanto, a viabilidade depende de investimentos públicos.
A responsabilidade cabe ao Senado de Berlim e ao governo federal. O Ministério do Interior lançou, recentemente, um pacto de proteção civil com 10 mil milhões de euros até 2029. Contudo, detalhes do conceito de abrigos ainda não foram tornados públicos.
BBK pretende começar a identificar edifícios adequados para servir de refúgio. A ideia é criar locais descentralizados para atender rápido a um grande número de pessoas, recorrendo a espaços existentes, parques subterrâneos e garagens de estacionamento.
Especialista em proteção civil aérea critica a abordagem: uma cave com paredes finas não basta para proteção duradoura. Diz que a opinião pública pergunta como seria a reativação de bunkers, destacando a necessidade de avaliações técnicas e de normas atualizadas.
O BBK recorda que, nos anos 80, houve apoio estatal para cofres em habitações, com financiamento parcial de construção, mas que muitos bunkers ficaram desativados a partir de 2007. Várias estruturas foram demolidas ou convertidas, sinalizando uma mudança de mentalidade face a ameaças modernas.
Em outros países europeus, países como Luxemburgo, Países Baixos e Finlândia exercitam-se com regularidade junto da população, enquanto a Alemanha analisa a recuperação de estruturas existentes para reforçar a proteção civil.
A Berliner Unterwelten e o BBK defendem que a população deve conhecer locais seguros em casa e em espaços públicos. O BBK promete iniciar a inventariação de edifícios adequados para servir de refúgio, com foco na rapidez de resposta para proteger um grande número de pessoas.
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