- Péter Magyar, líder do partido Tisza, tem prioridade na campanha interna húngara e tende a afastar-se de Bruxelas para atrair eleitores, mantendo distância de figuras da UE como von der Leyen.
- Desde a eleição como eurodeputado em 2024, Magyar não redigiu relatórios parlamentares, assinou apenas uma resolução e raramente participou em sessões de comissões; a última aparição em Estrasburgo foi em janeiro.
- O objetivo parece claro: usar o Parlamento Europeu como palco para pressionar a destituição de Viktor Orbán, mantendo-se ao mesmo tempo sensível às dinâmicas políticas internas.
- No PPE, a ausência de Magyar é sentida, mas geralmente aceite; a liderança do grupo prioriza o sucesso eleitoral do seu aliado húngaro, com Zoltán Tarr a representar o Tisza em Bruxelas e Estrasburgo.
- O Tisza, embora mais pró-europeu que o Fidesz, procura equilibrar posições entre a UE e a Hungria, incluindo questões como a adesão potencial da Ucrânia à UE e a migração, onde o grupo manteve votações conservadoras, incluindo o veto a um empréstimo à Ucrânia.
Entre Budapeste e Bruxelas: Péter Magyar na corda bamba entre Bruxelas e Budapeste
Péter Magyar, eurodeputado e líder do partido opositor húngaro Tisza, tem dado prioridade à campanha interna para as eleições de 12 de abril, em detrimento de parte do trabalho parlamentar em Bruxelas. A atuação tem seguido orientações de combate político interno, embrenhando-se em disputas com o governo de Viktor Orbán.
Desde a sua eleição como eurodeputado em 2024, Magyar não tem produzido relatórios parlamentares e raramente participa nas sessões das comissões. Registou apenas uma resolução e votou a favor de levar o acordo UE-Mercosul ao Tribunal de Justiça, em Estrasburgo, em janeiro.
Analistas apontam que a participação de Magyar em plenário se mantém baixa, com uma taxa de presença estimada em cerca de 21% desde o início do mandato. A observação é de Doru Frantescu, da EU Matrix, que acompanha dados sobre as instituições da UE.
A estratégia de Magyar parece clara: usar o Parlamento Europeu como palco para dinamizar a destituição de Orbán após 16 anos no poder. O objetivo é impulsionar a marca política do Tisza antes das eleições nacionais.
No verão de 2024, Magyar já havia mostrado força ao obter 30% dos votos num partido novo nas eleições europeias. O Tisza acabou integrado no Partido Popular Europeu, fortalecendo a aliança com a maior família política do continente.
No entanto, a atuação no Parlamento tem gerado críticas entre colegas, com alguns a afirmar que o trabalho de Magyar nas comissões é pouco visível. A disputa interna entranhou-se nas dinâmicas entre Bruxelas e Budapeste.
O papel e as limitações no PPE
Entre dirigentes do PPE, a ausência de Magyar é notada, mas geralmente aceite. O grupo tem colocado a prioridade no sucesso eleitoral do Tisza na Hungria, o que reduz a participação direta de Magyar em reuniões e decisões do grupo.
A liderança do PPE destaca que o papel de Magyar no Parlamento permanece relevante apenas na medida em que o Tisza sustenta uma posição competitiva para as eleições nacionais. A cooperação entre Bruxelas e Budapeste continua em equilíbrio.
Posicionamento político e temas sensíveis
O Tisza é visto como mais pró-europeu do que o Fidesz, mas Magyar evita em Bruxelas posições que possam soar impopulares no país. A adesão da Ucrânia à UE é tema sensível para o eleitorado húngaro, ainda que o PPE, em geral, apoie a posição de apoio à Ucrânia.
Em fevereiro de 2026, os eurodeputados do Tisza votaram contra o empréstimo de 90 mil milhões de euros proposto pela UE à Ucrânia, acompanhando a posição de Orbán de veto. A composição entre a linha do PPE e a opinião pública húngara permanece tensa.
Magyar defende a importância de proteger as fronteiras externas da UE e opõe-se à redistribuição de requerentes de asilo, mantendo uma posição próxima da linha de governo em certos temas, sem abandonar a perspetiva de confrontar Orbán no plano interno.
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