O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) afirmou que nunca descartou a possibilidade de um ciberataque como origem do apagão de 28 de abril, mas enfatizou a ausência de indícios técnicos nesse momento. A posição foi explicada pelo coordenador José Lino Alves dos Santos, na Comissão de Ambiente e Energia da Assembleia da República.
Segundo o responsável, naquela fase de incidente atípico não houve sinais claros que permitissem confirmar uma origem maliciosa. A prioridade foi cruzar informações com operadores, parceiros internacionais e a indústria, sem identificar evidência de ataque coordenado ou atividade preparatória.
O CNCS descreveu a atuação durante a resposta inicial como um duplo circuito de comunicação: primeiro com comunidades técnicas e operadores críticos, depois com os media. Mesmo com pressão mediática, a instituição afirmou que apenas houve necessidade de segurança de informações para evitar disseminação de rumores.
Cooperação internacional e análise de evidências
O coordenador referiu que foram acionados mecanismos de cooperação europeia, mantendo contacto com congéneres de Espanha e França. A análise de fontes abertas e de canais habitualmente usados por grupos cibercriminosos não revelou indícios de preparação ou reivindicações associadas ao incidente.
No dia seguinte ao apagão, confirmou-se que ocorreram ataques de baixo impacto contra sites da Administração Pública e do Governo, reivindicados por um grupo ativista que procurou tirar proveito do ocorrido. Não houve, contudo, confirmação de uma origem externa única.
Notificação e maturidade do sistema
José Lino Alves dos Santos revelou dificuldades de notificação: apenas meia dúzia de entidades reportou incidentes no próprio dia. Posteriormente, o CNCS notificou cerca de 395 organizações, com 174 a reconhecer ocorrências enquadráveis. O episódio evidenciou desafios na maturidade do sistema e na proteção uniforme em contexto de maior densidade digital.
Política de divulgação
Sobre divulgação, o responsável defendeu uma abordagem seletiva, baseada no princípio da necessidade de conhecer. Afirmou que vulnerabilidades difundidas publicamente nem sempre são úteis se apenas algumas entidades são afetadas, ressaltando a importância de comunicações direcionadas.
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