- A síndrome dos ovários poliquísticos afeta uma em cada oito mulheres e apresenta sintomas variados, como dor, ciclos irregulares, acne e excesso de pêlos, o que pode atrasar o diagnóstico.
- Em conferência médica, passaram a usar o termo síndrome metabólica poliendócrina do ovário (SOMP) para refletir que não é só o ovário e que nem sempre há quistos visíveis.
- Relatos de diagnóstico tardio e desvalorização de sintomas, com casos em que a mulher procurou ajuda durante anos e enfrentou diferentes interpretações dos profissionais de saúde.
- A possibilidade de engravidar é uma preocupação comum; algumas pacientes ponderam congelar óvulos, enquanto outras continuam a enfrentar dúvidas sobre o diagnóstico e a relação com condições como endometriose.
- Não há cura, mas o tratamento foca num estilo de vida saudável (exercício, sono, alimentação) e no uso de pílula ou outras medicações para controlar sintomas e complicações associadas.
Beatriz descobriu, numa ecografia, ovários com aparência de cachos de uvas. Os outros sinais incluíam ciclos irregulares, dores intensas e pêlos excessivos no rosto. O diagnóstico chegou pela via de uma médica endocrinologista: síndrome dos ovários poliquísticos, SOP.
A SOP é uma perturbação hormonal e metabólica que afeta cerca de 1 em 8 mulheres. Estima-se que 70% não saiba que possui a condição ou não tem diagnóstico oficial, segundo a OMS. A gravidade dos sintomas varia muito entre mulheres.
Mudança de designação
Conforme a opinião de especialistas, a condição pode envolver mais do que quistos visíveis nos ovários. O nome atual tende a refletir uma gama mais ampla de alterações endócrinas, levando à designação mais recente: síndrome metabólica poliendócrina do ovário. Esta mudança visa uma compreensão mais fiel do quadro clínico.
Casos com diagnóstico tardio
Ana Neves, 28 anos, relata dores menstruais intensas desde a adolescência e uma jornada diagnóstica longa. O atraso decorre, segundo a médica, também pela ausência de quistos visíveis. A gestão passa por uma abordagem integrada, não apenas medicamentosa.
Margarida, 28, recebeu diagnóstico aos 19 anos. Hoje já questiona a validade do diagnóstico, já que ecografias repetidas não mostram quistos. Mesmo sem certezas, continua a experienciar dores extremas e ciclos irregulares, o que a obriga a recorrer a analgésicos fortes.
Beatriz, que não toma mais pílula, descreve que o rótulo não alterou significativamente a sua vida. A idade de 29 anos traz ainda preocupação com fertilidade e com o impacto dos sintomas na qualidade de vida diária.
Quistos? Ou mais?
A SOP apresenta variações entre mulheres, com sinais como menstruação irregular, acne e excesso de pelos. Em alguns casos, as ecografias não revelam quistos, o que dificulta o diagnóstico. A condição é muitas vezes tratada como diagnóstico de exclusão, dizem especialistas consultadas pelo Público.
A partir de agora, a ênfase clínica recai sobre o manejo global do quadro: alimentação equilibrada, actividade física regular e sono adequado. Em paralelo, existem medicações que atenuam características androgénicas ou reduzem resistência à insulina, complementando tratados para sintomas.
Desafios no acompanhamento
Profissionais apontam que a falta de tempo nas consultas aumenta a sensação de desvalorização entre as pacientes. Casos como os de Margarida e Beatriz refletem dificuldades de comunicação com equipas de saúde. Ainda assim, há quem recupere alguma autoconfiança ao compreender o que acontece com o corpo.
Apoio social e educativo surge como elemento-chave para enfrentar a experiência de viver com SOP. Mulheres relatam estar mais informadas e menos isoladas quando partilham testemunhos e estratégias entre pares. Isso pode facilitar a gestão diária da condição.
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