- A Sociedade Portuguesa de Pneumologia pediu medidas mais duras contra cigarros eletrónicos e defende um pacote robusto de políticas para controlar o consumo.
- A organização exige ações contra as estratégias de marketing e publicidade, especialmente nas redes sociais e no comércio online, com foco na proteção dos jovens.
- O responsável destaca que há evidência de que os cigarros eletrónicos podem ser carcinogénicos e expõem o organismo a substâncias nocivas.
- O vaping é associado a riscos respiratórios agudos em jovens utilizadores e não há dados que demonstrem benefícios para a saúde; a ideia de ser seguro não é suportada pela evidência científica.
- Propõem aumento de impostos, proibição de sabores e acesso universal a apoio para deixar de fumar, sublinhando que o tabagismo continua a ser uma das principais causas evitáveis de doenças respiratórias e mortalidade.
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) pediu novas medidas mais duras contra os cigarros eletrónicos e o tabaco aquecido, citando a necessidade de desmascarar a estratégia de marketing destes dispositivos. O apelo foi feito na véspera do Dia Mundial Sem Tabaco, assinalado a 31 de maio.
Daniel Coutinho, coordenador da comissão de tabagismo da SPP, mostrou-se preocupado com a exposição precoce de jovens a estes produtos. A instituição defende campanhas de sensibilização para desconstruir mitos sobre a harmlessidade do vape e do tabaco aquecido.
A entidade afirma haver evidência que indícios de carcinogenicidade surgem com o uso de cigarros eletrónicos, devido à exposição a químicos e metais. Os potenciais danos celulares, inflamação e alterações no DNA são destacadas pela organização.
Ainda segundo Coutinho, alguns estudos em animais associam lesões ao desenvolvimento de cancro. O especialista alerta para o risco de doença respiratória aguda entre jovens consumidores de vape.
A SPP sublinha que a ideia de que vapear é uma alternativa segura não é suportada pela evidência científica. O uso combinado de cigarros eletrónicos e tabaco tradicional aumenta a exposição a substâncias nocivas.
Medidas propostas para enfrentar as estratégias de marketing
A SPP defende um conjunto de medidas robustas, com base em evidência de eficácia no controlo do consumo. Entre as sugestões estão o aumento de impostos sobre todos os produtos de tabaco e nicotina e a proibição total de sabores.
Outra prioridade é a regulação mais estreita da publicidade nas redes sociais e do comércio online de cigarros eletrónicos. A organização também defende acesso universal a apoio especializado para quem quer deixar de fumar.
Portugal encara o tabagismo como um determinante evitável de doença respiratória e mortalidade. A SPP reforça que deixar de fumar continua a ser a intervenção mais eficaz para reduzir riscos respiratórios e cardiovasculares.
A mensagem final aponta que a dependência nicotínica é uma doença crónica tratável, e que a combinação de apoio comportamental com terapêutica farmacológica apresenta melhores resultados. A substituição por dispositivos eletrónicos não é reconhecida como terapêutica.
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