O surto de Ébola na República Democrática do Congo continua a crescer, com o número de casos confirmados a superar a centena nesta segunda-feira. A Organização Mundial da Saúde (OMS) adiantou que há mais de 900 casos suspeitos e cerca de 220 mortes suspeitas, num contexto marcado pela guerra civil e pela desconfiança da população. O epicentro mantém-se nas zonas de Ituri, onde a população enfrenta condições humanitárias extremas.
As autoridades de saúde enfrentam dificuldades para rastrear contactos próximos devido ao deslocamento de pessoas, insegurança e limitações de acesso aos serviços de saúde. O diretor-geral da OMS reconheceu que a epidemia pode ser maior do que os números oficiais indicam e sublinhou a necessidade de identificar todos os contactos de risco para controlar o surto.
A violência no terreno complica as operações de contenção. Em Ituri, milhões vivem em situação precária, com muitos a fugir de casa devido ao conflito entre as Forças Armadas congolesas e o movimento rebelde M23. A guerra compromete a atuação de equipas de saúde e de organizações humanitárias.
Desafios operacionais e cooperação regional
O Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças alertou que o problema é regional, não exclusivo da RD Congo. Países vizinhos já mobilizam verbas para responder à crise, com valores estimados em aproximadamente 274 milhões de euros. A África do Sul prometeu cerca de 5 milhões de euros, com outros parceiros, incluindo a União Europeia e os Estados Unidos, a comprometerem-se a apoiar.
Ataques a instalações de saúde e medidas de contenção
No fim de semana, ataques a tendas e tentativas de invasão de hospitais onde se tratam pacientes com Ébola têm-se repetido. Em Mongbwalu, a polícia teve de intervir para impedir o acesso desordenado de familiares a momentos de luto, com relatos de fugas de pacientes. As autoridades proibiram funerais com mais de 50 pessoas para reduzir o risco de contágio, levando a protestos de familiares.
Richard Lokodu, médico do hospital de Mongbwalu, indicou que persiste a negação da doença entre parte da população, o que dificulta a aceitação de medidas de saúde pública. As estratégias passam pela vigilância de contactos, reforço de vigilância epidemiológica e cooperação entre países da região para impedir a disseminação.
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