A OMS elevou na sexta-feira o nível de alerta para muito elevado na epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo). O anúncio ocorre numa altura em que o vírus se expande pela região de Ituri e pelas províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul, sob domínio de conflitos armados.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, indicou que o risco nacional já é muito elevado e regional elevado, com o risco global ainda considerado baixo. A organização aponta para propagação rápida e dificuldades logísticas na resposta sanitária.
A epidemia concentra-se em Ituri, com fronteiras conturbadas, poucas ligações rodoviárias e grande violência de grupos armados. A OMS mantém envio de pessoal e reforça a vigilância, mesmo diante de deslocados estimados em cerca de um milhão em campos.
Até ao momento, a OMS confirmou 82 casos na RDCongo, com 7 mortes. Há ainda cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas, números que variam conforme a vigilância e os testes laboratoriais passam a funcionar melhor.
No terreno, a resposta tem dificuldade para organizar-se face ao risco de insegurança. A imprensa local e organizações humanitárias descrevem cenas de caos em Ituri, refletindo a complexidade logística da região.
A OMS indicou que a epidemia corresponde a uma estirpe do Ébola sem vacina disponível, com taxa de mortalidade estimada entre 30% e 50%. As orientações oficiais concentram-se na detecção rápida e no cumprimento de medidas de barreira.
A situação no Uganda, vizinho, permanece estável, com dois casos confirmados e uma morte, segundo o balanço da OMS. Um norte-americano infetado na RDCongo encontra-se hospitalizado na Alemanha.
O secretário-geral da ONU anunciou fundos para a resposta: 60 milhões de dólares para a RDCongo e a região. Os EUA comprometeram 23 milhões para apoiar o país e Uganda, incluindo a criação de até 50 clínicas de tratamento no conjunto da região.
Autoridades ugandesas afirmam não ter conhecimento de centros de tratamento criados pelos EUA. A OMS sublinha que as condições de campo, com violência e insegurança, continuam a dificultar a resposta.
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