- O acesso a novos medicamentos na Europa varia bastante, com esperas entre cinco meses e 37 meses para chegar aos doentes.
- A mediana do tempo desde a autorização até a disponibilidade é de 532 dias, com grandes diferenças entre países (Alemanha cerca de 56 dias; Roménia cerca de 1.201 dias).
- Em 2025, apenas 28% dos medicamentos estavam totalmente abrangidos pelo reembolso público, caiu de 42% em 2019.
- Norte e Oeste da Europa costumam ter acesso entre 100 e 500 dias; Sul e Leste entre 500 e 900 dias.
- A EFPIA alerta que o processo regulatório da UE é mais lento que o dos EUA e China, com muitos fármacos aprovados nos EUA não chegando à Europa (193 de 526 aprovados pela FDA entre 2016 e 2025).
Acesso a novos medicamentos na Europa continua desigual, com esperas que vão de meses a vários anos. Um relatório da EFPIA analisa o tempo até a disponibilidade e as diferenças entre países, bem como o impacto do reembolso público.
Segundo o estudo, em 2025 apenas 28% dos fármacos estavam totalmente abrangidos pelo reembolso público, face a 42% em 2019, revelando retrocesso na acessibilidade. Além disso, quase um quinto dos medicamentos passa a estar acessível apenas sob condições restritas.
Os doentes em diferentes países aguardam tempos muito distintos até ter acesso aos mesmos medicamentos. A mediana de disponibilidade entre autorização e acesso varia entre cinco meses e 37 meses.
Tempo de acesso por país
A EFPIA aponta que a Alemanha disponibiliza medicamentos em média 56 dias após autorização, enquanto a Roménia exige 1.201 dias. Suíça, Sérvia, Áustria e Dinamarca surgem como relativamente rápidos, com variações significativas entre eles.
Roménia, Portugal, Lituânia e Croácia registam os tempos de espera mais longos. O relatório conclui que, no Norte e Oeste, o acesso costuma situar-se entre 100 e 500 dias; no Sul e Leste, entre 500 e 900 dias.
Disponibilidade de medicamentos e terapias
A procura por terapias inovadoras e tratamentos órfãos mostra variações substantivas entre países. Em 2019, 42% dos medicamentos estavam plenamente disponíveis; em 2025, esse índice caiu para 28%.
A EFPIA acompanhou 168 medicamentos inovadores autorizados pela EMA entre 2021 e 2024. Entre 2016 e 2025, a FDA aprovou mais fármacos que a EMA, e a China aprovou ainda mais, evidenciando desníveis regulatórios globais.
Comparação internacional e implicações
Dados da IQVIA, usados pela EFPIA, indicam que o processo regulatório europeu é mais lento do que o norte-americano, facilitando a distância em relação a outros mercados. Faltam aprovações da EMA para muitos fármacos aprovados pela FDA.
Entre 2021 e 2025, a EMA aprovou 231 substâncias ativas; a FDA, 253; a China, 296, destacando que vários medicamentos aprovados nos EUA não chegam à Europa.
Perspetivas e avisos
A EFPIA alerta que, mesmo com propostas da Comissão Europeia para simplificar procedimentos, a Europa pode permanecer atrasada na velocidade de aprovação regulatória. A tendência é de manutenção das diferenças de acesso entre países.
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