- Os surtos de hantavírus e ébola mostram que o mundo continua pouco preparado para pandemias, apesar de melhorias na resposta a crises sanitárias.
- A Organização Mundial da Saúde declarou que a epidemia de ébola na República Democrática do Congo não é uma emergência pandémica, mas representa risco elevado nacional e regional.
- A especialista Helen Clark afirma que as novas normas sanitárias funcionam, mas é necessário compreender melhor como surgem e quais são os riscos para estar preparado.
- O surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius ocorreu no Oceano Atlântico e envolveu mortes, com dúvidas sobre o conhecimento de regiões de origem dos vírus nos navios que partem dali.
- O surto de ébola da variante Bundibugyo pode ter causado mais de cento e trinta mortes, tendo passado despercebido durante semanas devido a testes direcionados a outra variante, o que evidencia falhas de vigilância e de apoio internacional.
O mundo continua a enfrentar riscos pandémicos, segundo a especialista em pandemias Helen Clark. Surtos de hantavírus e ébola evidenciam que, mesmo com melhorias na resposta a crises de saúde pública, os mecanismos de compreensão dos riscos ainda são insuficientes.
Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia e copresidente do Painel Independente de Preparação e Resposta a Pandemias, afirmou que o papel da OMS é crucial. A organização classifica a epidemia de ébola na República Democrática do Congo como risco elevado a nível nacional e regional, não como emergência pandémica.
A observação foi feita à agência AFP em Genebra, após a OMS anunciar a avaliação. Logo após o alerta inicial para o novo surto de ébola, e semanas depois de um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, a resposta global teve um início eficaz, segundo a especialista.
Para Clark, o problema central estende-se para além da resposta imediata. Há necessidade de entender melhor como esses surtos surgem e de ampliar o conhecimento sobre preparação baseada em risco, vigilância e detecção precoce, áreas onde ainda se verificam deficiências.
Ela destacou que a hantavírus envolvida no surto a bordo do navio éendêmica na região da Argentina, de onde partiu a embarcação, mas não está claro se as companhias de cruzeiro que operam na rota têm consciência desse risco. A situação expôs falhas na comunicação de risco para setores da cadeia turística.
No caso da variante Bundibugyo do ébola, que pode ter causado mais de 130 mortes na RDCongo, Clark mencionou que a expetativa de testes pode ter falhado ao identificar a variante específica durante semanas, atrasando a resposta adequada.
A ex-chefe de Governo pediu uma investigação sobre a cadeia de acontecimentos para compreender as capacidades necessárias e o que pode ser aprendido com o episódio. A pandemia de covid-19 mostrou impactos de cortes de ajuda externa nos esforços de prevenção de doenças, alertou.
Clark reforçou que cortes globais de assistência afetam sistemas de saúde de países mais pobres e frágeis, dificultando a capacidade de investir em preparação, vigilância e resposta. Segundo ela, a situação exige investimentos consistentes para evitar negligência em áreas críticas.
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