A USF-AN pediu a gestão ativa das listas de utentes pelos próprios cuidados primários, defendendo que a abordagem permitirá corrigir injustiças acumuladas. A associação afirma que a gestão deve ser uma ferramenta de boa governação clínica, não apenas uma operação administrativa remota.
A associação sublinha que os cuidados primários devem deter o controlo das listas, com monitorização periódica pelos departamentos de gestão dos cuidados de saúde primários das ULS. A autonomia das USF é apresentada como crucial para este modelo.
A proposta aponta que, em concelhos com carências de médicos de família, deve existir uma unidade funcional responsável pela inscrição e resposta dos utentes sem equipa de saúde familiar. Esta unidade funcionaria como retaguarda para assegurar cuidados necessários.
Proposta de organização e critérios
A USF-AN defende mecanismos locais de inscrição com critérios públicos, auditáveis e orientados para a justiça social. Entre os critérios estão proximidade geográfica, composição familiar, vulnerabilidades, doenças crónicas, idade e continuidade assistencial.
A associação também sugere redistribuição entre ULS de utentes sem equipa de família atribuída, com base na morada de residência. Envolve ainda maior participação das autarquias na organização da saúde local e definição de carências humanas e estruturais.
Contexto atual e dados do SNS
Segundo dados de Março, 1,62 milhões de utentes não tinham médico de família. O total tem vindo a aumentar desde Julho de 2025, quando eram 1,51 milhões. Em Março, mais de 9,1 milhões tinham médico de família, com quase 10,8 milhões inscritos nos cuidados de saúde primários.
A USF-AN reconhece a importância de um Registo Nacional do Utente fiável e interoperável, mas insiste que a gestão de listas deve ocorrer onde há conhecimento real da população e da capacidade instalada, ou seja, nas unidades funcionais.
Objetivo institucional
A associação afirma que o modelo proposto permite integrar utentes que vivem na área de uma USF e nunca tiveram médico, quando existirem vagas reais. O SNS não precisa de listas congeladas, mas de listas vivas, equipas responsáveis e unidades funcionais robustas.
Entre na conversa da comunidade