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Sociedade de obstetrícia admite excesso de cesarianas em hospitais privados

SPOMMF denuncia excesso de cesarianas no privado, requer regulação e dados nacionais para explicar discrepâncias com o SNS.

Cerca de metade da taxa regista-se nas unidades de saúde dos setores privado e social
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  • A presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal afirmou que os hospitais privados realizam cesarianas em excesso, reconhecendo ser “muito difícil” entender a discrepância em relação aos públicos.
  • Dados recentes mostram que as cesarianas nos hospitais públicos aumentaram em 2025, representando quase 33% do total de partos no Serviço Nacional de Saúde, com cerca de metade da taxa registada no privado e social.
  • A responsável afirma que o excesso de cesarianas no privado merece cautela e ressalta que a diferença entre SNS e setor privado deve levar a reflexão, dado que a cesariana tende a ser mais valorizada do ponto de vista remuneratório.
  • A prática é mais rápida para as unidades de saúde, já que uma cesariana pode levar cerca de uma hora, enquanto acompanhar um trabalho de parto pode durar entre 24 e 48 horas, o que pode influenciar as taxas em contextos de urgências.
  • A proposta aponta para um repositório central de dados a nível nacional sobre obstetrícia, uma vez que a informação atual é fragmentada e dificulta perceber as causas do aumento das cesarianas no país.

A presidente da SPOMMF afirmou ao longo de uma sessão da comissão parlamentar de Saúde que o setor privado pratica cesarianas em excesso, uma discrepância que considera difícil de entender face aos hospitais públicos. A declaração ocorreu na terça-feira, a pedido do PS, durante o debate sobre o aumento destes procedimentos em Portugal.

Dados recentes indicam que as cesarianas nos hospitais públicos já representam quase 33% do total de partos no SNS em 2025, enquanto no setor privado e social a taxa é aproximadamente a metade. A dirigente reconheceu que a diferença entre os dois sistemas é difícil de justificar e pediu cautela na análise do excedente privado.

Luísa Pinto alertou ainda que a remuneração mais elevada da cesariana, em comparação com o parto vaginal, deveria ser objeto de regulação. A responsável destacou que uma intervenção cirúrgica é concluída rapidamente, em cerca de uma hora, ao passo que um parto natural pode prolongar-se por 24 a 48 horas.

Dados e impactos

A responsável afirmou que a atual crise de urgências obstétricas no país pode influenciar as taxas, com encerramentos de unidades e transferências de grávidas a colocar pressão sobre equipas, muitas jovens, em hospitais com menor recurso. Questionou-se se esses fatores pesam mais nos números nacionais.

A diretora-geral da Saúde reconheceu, no final de abril, a ausência de um sistema de dados integrado entre público e privado, o que dificulta a perceção do panorama completo. A responsável pela DGS explicou que grande parte dos dados resulta de recolha manual, tornando a análise menos consolidada.

O diretor executivo do SNS respondeu que não há relação direta entre falta de recursos públicos em obstetrícia e o aumento de cesarianas, lembrando que, em alguns hospitais com maiores dificuldades, a taxa diminuiu face a 2023. A posição reforça a necessidade de dados consistentes para fundamentar políticas.

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