O navio de cruzeiro MV Hondius, ancorado junto à costa de Cabo Verde, está no centro de uma disputa sobre o seu destino. O surto de hantavírus registado a bordo levou à quarentena dos passageiros e tripulantes que não precisam de assistência médica, enquanto a OMS confirma um segundo caso grave.
A OMS informou que Espanha aceitou a atracagem do navio nas Ilhas Canárias, mas as autoridades espanholas desmentiram a decisão. O cruzeiro, que seguia para as Canárias, pode enfrentar uma avaliação da rota de desembarque, conforme as autoridades locais.
Dois casos de hantavírus foram confirmados. O primeiro envolve um passageiro britânico já retirado e internado com estado grave em Joanesburgo. O segundo caso confirmado é de uma mulher neerlandesa que desembarcou em Santa Helena a 24 de abril e teve piora durante a repatriação, morrendo a 26 de abril.
Quatro casos suspeitos são avaliados no navio, incluindo sintomas de febre alta e gastrointestinais. As autoridades espanholas indicam que dois casos suspeitos e um contacto de alto risco serão retirados do navio nas próximas horas, para tratamento e quarentena na Alemanha e nos Países Baixos.
A responsável da OMS para preparação e prevenção de epidemias menciona possível transmissão de pessoa para pessoa entre contactos próximos. Também afirmou que a infecção pode ter ocorrido antes do embarque de alguns passageiros. A equipa de investigação deve avaliar o estado de saúde a bordo e identificar contactos de risco.
Inspeção para decidir a rota
O Ministério da Saúde de Madrid disse que não havia uma decisão tomada ainda. No final da tarde, contudo, anunciou uma inspeção à embarcação para aferir o estado de saúde dos ocupantes, confirmar a existência de mais casos e mapear contactos de alto e baixo risco.
Segundo a OMS, o navio poderá seguir para desembarque no continente, conforme avaliação epidemiológica. A autoridade regional espanhola destacou que a decisão final depende da análise clínica e da logística de resposta.
Além do caso britânico, uma mulher neerlandesa que faleceu e o marido, falecido a 11 de abril, estão a compor o eixo da investigação. A causa da morte do marido permanece em análise, enquanto a filha e o restante grupo a bordo aguardam os próximos passos.
O relatório indica que, além de dois casos confirmados, há uma outra mulher morta por pneumonia cuja relação com o surto está a ser estudada. A OMS informou que está a contactar passageiros do voo de repatriação para monitorizar eventuais impactos.
Ao que tudo indica, trabalhadores médicos foram preparados para operacionais de desinfeção do navio e posterior avaliação do risco para os passageiros. O Governo espanhol mencionou que o desembarque no continente pode facilitar a avaliação epidemiológica e a logística de quarentena.
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