- Investigadores do Instituto Universitário de Ciências da Saúde (IUCS) identificaram bactéria resistente, associada a infeções hospitalares, nas explorações intensivas de gado no Norte de Portugal.
- O estudo defende a urgência de vigilância integrada, no âmbito da abordagem One Health, para monitorizar enterococos em ambientes de produção animal.
- Foram analisadas fezes de vacas e o ambiente da exploração, com detecção da bactéria em máquinas, robôs de leite, botas, profissionais e animais.
- Além de resistência a antibióticos críticos, como a linezolida, foram identificadas variantes com resistência em resíduos com potencial impacto humano.
- A investigadora destaca que a origem da bactéria é desconhecida e alerta para o risco de transmissão pela cadeia alimentar e contacto entre humanos e animais.
Investigadores do Instituto Universitário de Ciências da Saúde (IUCS) detectaram que explorações intensivas de gado no Norte de Portugal podem abrigar uma bactéria resistente associada a infeções hospitalares. O estudo defende uma vigilância integrada com base na abordagem One Health.
Os resultados, que serão apresentados num congresso internacional no Porto, destacam a necessidade de reforçar a vigilância da enterococos no gado, sobretudo em sistemas de produção intensiva, segundo a investigadora Ana Raquel Freitas, da CESPU.
A equipa analisou fezes de vacas e todo o ambiente das explorações, encontrando a bactéria em máquinas, robôs de ordenha, botas de trabalhadores e veterinários, bem como no trato gastrointestinal de humanos ligados à exploração.
Freitas sublinhou que, apesar do aumento do controlo de antibióticos na produção, ainda se utilizam fármacos em animais doentes, o que facilita a persistência de bactérias resistentes ao longo de gerações e cadeias de produção.
O estudo centra-se na bactéria Entorococcus, incluindo variantes resistentes a antibióticos críticos como a linezolida, de uso humano em infeções de última linha.
Segundo a investigadora, Entorococcus é uma bactéria comum do intestino de humanos e animais: pode ser benéfica, mas também oportunista, principalmente em pacientes hospitalizados ou com imunodepressão.
A origem da bactéria nos bovinos permanece desconhecida. O caminho de dispersão pode envolver o ambiente, a ração ou o contacto direto com tratadores, veterinários e exploradores, com implicações para segurança alimentar.
A pesquisadora afirma que o risco envolve tanto o contacto direto como a cadeia de consumo de carne e leite, destacando a importância de estratégias de vigilância que integrem saúde humana, animal e ambiental. Fonte: Lusa.
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