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Manosfera afirma que não ejacular melhora a pessoa; afirmação é contestada

Especialistas desmentem promessas da manosfera sobre retenção de sémen; não aumenta testosterona nem mejora o desempenho, e pode gerar culpa

O discurso anti-ejaculação até parte, em alguns dos casos, de uma base científica, mas rapidamente se desvia dos factos
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  • Influencers na manosfera defendem retenção de sémen e que a não ejaculação leva a ser “a melhor versão de si próprio”, mas especialistas dizem que não há evidência científica para esses resultados.
  • A narrativa mistura ideias pseudocientíficas com promessas como aumento da testosterona, esperma de maior qualidade e maior concentração, apresentando-a como benefício extremo.
  • O urologista Afonso Morgado explica que após o orgasmo há mudanças hormonais temporárias e que a retenção de sémen não resulta em melhorias de desempenho ou de saúde a longo prazo.
  • A ideia de que não ejacular aumenta a testosterona ou a qualidade do esperma não se sustenta; a testosterona pode oscilar, mas não aumenta de forma permanente por não haver ejaculação, e a qualidade do esperma também não melhora de forma significativa.
  • A masturbação é normal e saudável; a vergonha associada a este comportamento costuma ter raízes culturais ou religiosas, e a pornografia pode criar expectativas irreais sobre sexo e intimidade.

Os influencers da manosfera defendem que a abstinência de ejacular leva o homem a alcançar a “melhor versão de si próprio”, com promessas de maior foco, testosterona e desempenho. O discurso chega a apontar benefícios como mente limpa e maior resistência sexual.

Especialistas lembram que, embora a prática não seja livre de efeitos, não há evidência de melhorias extraordinárias. Organizações de saúde destacam que a ideia de ganhos permanentes é infundada e pode gerar pressão psicológica. A discussão envolve conteúdos partilhados nas redes entre jovens adultos.

No centro da controvérsia estão criadores de conteúdo na faixa dos 20 e 30 anos, que promovem a retenção de sémen como técnica de bem-estar, associando-a a uma suposta elevação de testosterona. Em alguns casos, também surgem orientações sem base científica, como exposição da região genital ao sol.

A visão médica

Afonso Morgado, urologista do Hospital de São João, explica que o organismo reage a renúncias sexuais com alterações hormonais passageiras. O estado de alerta pode diminuir após a fase de repouso, não garantindo melhoria de performance a longo prazo.

Quanto à testosterona, o especialista avança que o nível pode oscilar, mas não se mantém elevado apenas por não ejacular. O mesmo se aplica à qualidade do esperma, que tende a manter padrões estáveis ou a degradar-se com o tempo, se não houver ejaculação frequente.

Impacto psicológico e sexual

Morgado afirma que não existem consequências físicas graves ao ficar meses sem ejacular. Contudo, pode haver impacto psicológico, com sentimentos de culpa ou vergonha alavancados por mensagens da manosfera. A prática de masturbação, por sua vez, é apresentada por especialistas como normal e saudável.

Vânia Beliz, psicóloga e sexóloga, sublinha que a masturbação não esgota energia nem diminui a masculinidade. Leonor de Oliveira, psicóloga e terapeuta sexual, reforça que é expressão natural da sexualidade, com riscos apenas quando interfere no dia a dia ou na saúde mental.

Pornografia e educação sexual

Os profissionais destacam que a pornografia pode criar expectativas irreais sobre intimidade e prazer. Quando a excitação depende de um estímulo específico, a resposta sexual pode tornar-se condicionada. A pornografia, segundo os especialistas, exige educação adequada para evitar disfunções ou insatisfação.

Os textos de referência apontam que a ideia de que a abstinência aumenta a altura ou a qualidade do esperma não é suportada por dados clínicos. A recomendação é manter hábitos saudáveis no geral e evitar interpretações simplistas sobre a sexualidade masculina.

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