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Quase 330 doentes morreram à espera de cirurgia cardíaca; privados na rede

328 doentes morreram à espera de cirurgia cardíaca entre 2021 e 2025; governo revê redes de referenciação, incluindo capacidade privada

Ana Povo, secretária de Estado da Saúde, foi ouvida hoje na Comissão de Saúde sobre a criação de um centro de cirurgia cardíaca no Hospital de Santo António
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  • Entre 2021 e 2025 morreram 328 doentes à espera de cirurgia cardíaca.
  • A Secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, anunciou que o Ministério da Saúde emitirá um despacho para rever as redes de referenciação de cirurgia cardíaca, torácica e cardiologia, considerando a capacidade instalada, incluindo o privado.
  • A solução imediata proposta é aumentar o valor pago às equipas pela realização de cirurgias em produção adicional (SIGIC), com revisão das redes a prazo.
  • Foi pedido à Entidade Reguladora da Saúde para se pronunciar sobre a organização de centros de cirurgia cardíaca no privado; existem seis centros públicos e onze privados.
  • Em fevereiro, o director do serviço de cardiologia do Hospital de Santo António indicou dez mortes nos últimos três anos entre pacientes à espera de cirurgia cardíaca, que motivaram pedidos de avaliação urgente.

Entre 2021 e 2025, morreram 328 doentes à espera de cirurgia cardíaca. Os dados foram apresentados pela Secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, em comissão parlamentar.

Povo afirmou que o Governo não fica descansado com estes números e anunciou um despacho do Ministério da Saúde para rever as redes de referenciação de cirurgia cardíaca, torácica e cardiologia, considerando a capacidade pública e privada.

A revisão vai avaliar a organização atual, incluindo centros afiliados, numa perspetiva de maior cooperação entre SNS e privado, e terá em conta a capacidade instalada no setor.

Medidas imediatas em curso

Segundo a governante, a proposta rápida passa pela majoração do valor pago às equipas pela realização de cirurgias em produção adicional (SIGIC). A medida de curto prazo visa aumentar a atividade.

Ainda de acordo com Povo, já foi solicitada à Entidade Reguladora da Saúde uma pronúncia sobre a organização dos centros de cirurgia cardíaca no privado, que representam 11 unidades, face a 6 públicas.

O objetivo é, com base nesses dados, definir a revisão das redes de referenciação de cirurgia torácica, cardíaca e cardiologia, reforçando a cooperação entre SNS e privados.

Contexto e desdobramentos

Em fevereiro, o diretor do serviço de cardiologia do Hospital de Santo António indicou que 10 doentes morreram nos últimos três anos à espera de cirurgia cardíaca, o que suscitou pedidos de avaliação urgente pela Saúde e pela Ordem dos Médicos.

A Direção Executiva do SNS já está a analisar a situação e deverá apresentar um quadro mais detalhado para justificar as alterações nas redes de referenciação, bem como as ações de melhoria logística e de capacidade.

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